Programa Ponto de Encontro “Neurociência na Educação”

Partindo da contribuição de autores como Piaget e Vygotsky para a compreensão do desenvolvimento psicológico, o vídeo  comenta alguns importantes avanços recentes na pesquisa em psicologia  e confronta seus resultados com posturas anteriores. Um ponto de destaque relaciona-se com o desenvolvimento de certas habilidades perceptivas e cognitivas as quais, de acordo com algumas evidências, têm sua gênese em idades inferiores às que se acreditava há algum tempo. Adicionalmente, comentam-se importantes achados das neurociências, e mais particularmente da neuropsicologia cognitiva, identificando áreas cerebrais responsáveis por determinadas tarefas cognitivas e também algumas de suas associações. A conclusão aponta para a necessidade de os profissionais da educação e os currículos escolares levarem em consideração esses avanços científicos para que se produzam melhorias na eficácia do processo pedagógico.

Paulo Estevão Andrade, Paulo Sérgio T. do Prado.

Planos de Aula – Planeta Sustentável

Diversas reportagens publicadas no Planeta Sustentável foram selecionadas pela revista Nova Escola como temas de aulas dinâmicas para discutir a sustentabilidade.

Planeta Sustentável 

 

Dica de Aula

Ambiente e ação humana nas florestas

 

Objetivos
– Identificar e comparar as causas do desmatamento nos seguintes biomas florestais brasileiros: Amazônia e Mata Atlântica.
– Compreender a relação das populações tradicionais da Amazônia com o meio ambiente.
– Desenvolver processos de coleta, seleção e organização de dados.
– Ler e interpretar informações cartográficas.

Conteúdos
– Biomas florestais do Brasil: Amazônia e Mata Atlântica.
– Comunidades tradicionais da Amazônia.
– Extrativismo vegetal e desmatamento.
– Recursos naturais.
– Biodiversidade.

Anos
6º e 7º anos

Tempo estimado
Quatro aulas

Material necessário
Cópias do texto de apoio contido nesta sequência didática para todos os alunos, computador com datashow ou projetor para a reprodução das figuras 1, 2, 3 e 4.

Introdução
Com o passar dos anos, a ação humana tem modificado os biomas brasileiros. Nossa faixa de Mata Atlântica, por exemplo, sofre com o desmatamento desde o descobrimento do país, em 1500. A exploração foi tão ferrenha que, atualmente, restam apenas 7 % da mata original. Isso desperta uma grande preocupação em relação à preservação da floresta Amazônica e, principalmente, em relação ao futuro das comunidades tradicionais que dela sobrevivem. Por isso, é muito importante conhecer as causas do desmatamento e refletir sobre formas alternativas adotadas pelos povos tradicionais para sobreviver, preservar suas tradições e proteger a floresta. É sobre a ação humana sobre a natureza que vamos falar na sequência a seguir.

Desenvolvimento
1ª aula

Inicie a aula contando aos alunos que nos próximos três encontros vocês falarão sobre a relação entre sociedade e natureza. Comece questionando a turma sobre os tipos de interação que os homens podem ter com a natureza em diferentes contextos sociais, econômicos e geográficos.

Para sensibilizar a turma sobre o tema e identificar seus conhecimentos prévios sobre as formas de exploração das florestas brasileiras, organize a sala para uma roda de conversa e apresente a imagem abaixo (figura 1), de uma área desmatada ou queimada. Em seguida, lance as seguintes questões: que sensações a imagem desperta? Quais são os motivos para o desmatamento? Pergunte, ainda, se a turma sabe quais são as florestas que mais sofrem com essa ameaça no Brasil e que tipo de vegetação existe nesses lugares.

Figura 1: Clareira aberta na mata, próximo de Porto Velho. (Foto: João Ramid)
Figura 1: Clareira aberta na mata, próximo de Porto Velho. (Foto: João Ramid)

Após investigar o que a turma já sabe sobre o desmatamento, acrescente algumas informações a respeito de nossos principais biomas florestais: Amazônia e Mata Atlântica.

Destaque a importância desses biomas para a manutenção da biodiversidade, ressaltando que o conjunto desses biomas corresponde à maior biodiversidade do planeta. Esclareça que a biodiversidade está relacionada à variedade de formas de vida do planeta e que é essa diversidade de vida que mantém o equilíbrio dos ecossistemas, além de representar uma importante fonte de pesquisa para a descoberta de novos produtos e medicamentos. Porém, as queimadas e o desmatamento são responsáveis pelo desaparecimento de um grande número de espécies, muitas delas extintas antes que possam ser estudadas.

Você sabia que 2010 foi o Ano Internacional da Biodiversidade? Saiba mais sobre o tema lendo a reportagem “A vez da biodiversidade”.

Comente que a Mata Atlântica avança do Rio Grande do Sul até o estado do Piauí, apresentando inúmeras paisagens, pois, está presente em diferentes formas de relevo, de solo e de clima. Enfatize a importância que este bioma desempenha na proteção dos recursos hídricos, que são responsáveis pelo abastecimento de água das maiores cidades brasileiras. Apesar da extrema importância da Mata Atlântica, lembre que aproximadamente 93% de sua formação original já foi devastada.

Conte à turma que o bioma amazônico corresponde a aproximadamente 50% do território nacional e é constituído, principalmente, por uma floresta tropical que desempenha papel fundamental na manutenção do clima do planeta. Essa imensa cobertura vegetal vem sofrendo sérios problemas ambientais decorrentes das queimadas e do desmatamento. Mais de 15% de sua área original já foi devastada.

Depois de fornecer essas informações para a classe, questione se os alunos sabem quais são as principais causas do desmatamento na Amazônia. É provável que eles apontem as madeireiras como as principais devastadoras da região. Explique que o desmatamento ilegal e predatório praticado por madeireiras é um dos principais fatores, mas não é o único. Há também fazendeiros que provocam queimadas na floresta para ampliação de áreas de cultivo (principalmente de soja). Estes dois problemas preocupam cientistas e ambientalistas do mundo todo, pois em pouco tempo, podem provocar um grande desequilíbrio no ecossistema da região, colocando a sobrevivência da floresta em risco.

Relembre os dados sobre desmatamento nos dois biomas: Amazônia – 16% e Mata Atlântica – 93%. Questione, então, os alunos sobre as causas que levaram a números tão diferentes nos dois biomas e proponha uma leitura inicial dos mapas que apontam as áreas desmatadas da Mata Atlântica (figura 2) e a densidade demográfica da região originalmente ocupada pelo bioma (figura 3).

Explique as legendas dos mapas e proponha aos estudantes um exercício de representação gráfica. Peça que eles, em uma folha de papel vegetal, copiem o contorno do mapa do Brasil e em seguida copiem o contorno da área que correspondia à floresta da Mata Atlântica em 1500, sobrepondo-a ao mapa de densidade demográfica. O que os estudantes perceberam?

Solicite que registrem a comparação entre os dois mapas no caderno e, em seguida, compartilhem suas observações com os colegas. É esperado que os alunos percebam que a relação entre densidade demográfica e desmatamento é diretamente proporcional.

Figura 2: Mapa comparativo entre a área de cobertura vegetal original de Mata Atlântica e a remanescente. Nota-se que quase 93% da vegetação original foi desmatada.   FONTE: http://www.rededasaguas.org.br/site_base_iguape/prog/educ/ribeira/agua/mapa.htm
Figura 2: Mapa comparativo entre a área de cobertura vegetal original de Mata Atlântica e a remanescente. Nota-se que quase 93% da vegetação original foi desmatada. FONTE: http://www.rededasaguas.org.br
Figura 3: Mapa da densidade demográfica do Brasil. Nota-se que a maior parte da população está localizada a leste, próximas das áreas litorâneas. FONTE: www.ibge.gov.br/ibgeteen/mapas
Figura 3: Mapa da densidade demográfica do Brasil. Nota-se que a maior parte da população está localizada a leste, próximas das áreas litorâneas. FONTE: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/mapas

Entenda o desmatamento

Desmatamento é uma ação humana que visa à retirada da vegetação nativa de uma determinada área, com o objetivo de aproveitar a madeira e, em seguida, utilizar a área desmatada para o uso do solo. Infelizmente, essa prática é recorrente em todos os biomas brasileiros (Cerrado, Caatinga, Campos, Pantanal, Mata Atlântica e Amazônia), em maior ou menor grau de intensidade.

A vegetação nativa é retirada, por meio do corte ou das queimadas, para a ocupação de áreas destinadas à implantação de atividades agropecuárias, de assentamentos rurais, ou para a expansão urbana.

Trata-se de uma prática antiga, que ocorre no Brasil desde o período do descobrimento, mas que se intensificou após a industrialização do país. Os ciclos econômicos, a expansão da agricultura, da pecuária e o crescimento urbano estão entre os principais motivos que levaram ao aumento das áreas desmatadas, principalmente as áreas de floresta, como a Amazônia e a Mata Atlântica.

Dentre as principais causas do desmatamento na Amazônia temos:
– O crescimento do processo de ocupação humana a partir dos anos de 1960.
– A abertura de estradas e a implantação de grandes projetos de exploração extrativista e de assentamentos rurais.
– A exploração madeireira de forma seletiva, na qual são retiradas todas as árvores com valor comercial.
– As queimadas para expansão da agricultura e principalmente da pecuária.

Em relação à Mata Atlântica, os principais motivos para o desmatamento são:
– Os ciclos da cana-de-açúcar e do café, que estimularam o desmatamento no Nordeste e Sudeste do Brasil.
– O desenvolvimento industrial e econômico no sudeste.
– O crescimento do processo de urbanização nessa região.
– A construção de grandes obras de infraestrutura (como estradas, portos e hidrelétricas).

FONTE: adaptado do texto Desmatamento, de Arnaldo Carneiro Filho e Nilo D’Avila emAlmanaque Brasil Socioambiental (ISA).

Agora que os alunos já se apropriaram do tema desta aula – o desmatamento, sugira que, em grupos, eles elaborem um quadro comparativo com as causas da devastação nos dois biomas analisados desde a primeira aula desta sequência (conforme o modelo no quadro abaixo).

Origens e consequências do desmatamento na Amazônia Origens e consequências do desmatamento na Mata Atlântica
Implantação de grandes projetos de exploração extrativista Desenvolvimento industrial e econômico no Sudeste

Em seguida, organize uma roda de conversa para que os estudantes compartilhem os resultados e discutam o assunto. Você pode fazer o registro das informações debatidas pela turma no quadro negro.

Para estimular ainda mais a discussão e depois de concluir o quadro comparativo sobre o desmatamento nos dois biomas, mostre o cartum abaixo (figura 4) e peça para que os alunos o observem durante alguns instantes. Comente que os cartuns estão presentes em jornais, revistas e podem abordar temas polêmicos. Assim como um texto, eles trazem informações, servem para comentar fatos e expressar mensagens.

Pergunte aos estudantes o que eles conseguem deduzir com base no cartum. Algumas perguntas para orientar a análise são: quem eles imaginam que seja o personagem? Como é sua vestimenta? Qual a sua fisionomia? E o cenário? Como são os objetos? Há algum exagero na figura? É possível identificar o lugar, a época e as condições de vida do personagem? Que tema serviu como base para o cartum? Refere-se a um assunto da atualidade ou não? Há alguma crítica incutida? Se sim, a quem ou a que se refere? Que elementos as imagens fornecem para discutir esse problema?

Espera-se que os alunos compreendam que o atual modelo de exploração das florestas, baseado no corte ilegal de árvores, tem causado sérios danos ambientais, além da perda da biodiversidade.

Com base nas opiniões dos alunos sugira uma última questão para debate: o que o grupo propõe como soluções para resolver o problema apresentado? Depois de ouvir os estudantes, diga a eles que na próxima aula vocês irão discutir formas de exploração das florestas que não levam à devastação.

3ª aula

Retome o cartum apresentado na aula passada e explique para a turma que é preciso aprofundar os conhecimentos sobre alguns temas, para que tenhamos mais argumentos para responder às questões: a exploração ilegal de madeira é a única forma de utilização comercial dos recursos das florestas? Existem outras formas de exploração não levam à devastação de nossos principais biomas?

Veja uma sequência didática sobre o tema.

Para responder às perguntas, divida a turma em grupos de três ou quatro alunos e proponha que cada grupo escolha um tema, dentre os listados abaixo, para pesquisar em casa e elaborar painéis para um seminário que deverá ser apresentado na próxima aula. Explique que os grupos deverão pesquisar a origem da espécie explorada, identificar a região onde ocorre maior exploração e os grupos que as coletam (são grandes grupos empresariais ou comunidades tradicionais?), apresentar quais os usos comerciais das espécies investigadas (indústria alimentícia, de cosméticos etc.) e suas formas de manejo. Oriente a turma a montar painéis com textos, fotos, mapas, tabelas e gráficos.

• Castanha do Brasil ou castanha do Pará
• Açaí
• Seringueira
• Babaçu
• Andiroba
• Cupuaçu

Para orientar o trabalho, sugira que a pesquisa seja realizada em fontes confiáveis, conforme os exemplos abaixo:

Embrapa
Ministério do Meio Ambiente
Planeta Sustentável
Desflorestamento da Mata Atlântica diminui 55% 
O futuro da Amazônia: entrevista com Jacques Marcovitch
Era uma vez na Mata Atlântica
Fórum da Biodiversidade e a Nova Economia Especial do Planeta Sustentável, 2010
Biomas
Hotspots
Blog Biodiversa
Meu Planetinha
Vídeos sobre a Mata Atlântica
Especial “O Futuro da Amazônia”, da revista National Geographic Brasil.
Especial “Plantadores de Florestas”, da revista National Geographic Brasil.

4ª aula

Reserve essa aula para a apresentação dos seminários. Peça para que os grupos explorem os conteúdos dos painéis durante a apresentação. Estabeleça um tempo de 10 minutos para cada grupo expor o seu trabalho, faça anotações dos pontos importantes e comente quando julgar necessário. No final, retome as perguntas que guiaram o trabalho de pesquisa na aula anterior (A exploração ilegal de madeira é a única forma de utilização comercial dos recursos das florestas? Existem outras formas de exploração não levam à devastação de nossos principais biomas?) e proponha um debate de encerramento com toda a turma sobre como deve ser a ação humana em áreas de florestas.

Espera-se que ao final os alunos compreendam que é possível explorar as florestas de forma sustentável, garantindo assim, a sobrevivência dos povos da floresta e a preservação ambiental.

Avaliação
Leve em conta os objetivos definidos inicialmente. Com base na participação dos alunos e nos seminários apresentados, verifique se houve entendimento sobre as causas do desmatamento nos biomas florestais brasileiros e sobre a relação das populações tradicionais da Amazônia com a biodiversidade. Identifique se os alunos entenderam os diversos usos que o homem faz da floresta e quais são suas consequências. Caso considere necessário, retome os conceitos que ainda não estiverem completamente claros para os alunos.

 

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/plano-aula-ambiente-acao-humana-florestas-640751.shtml

UMA ESCOLA NOVA DE VERDADE. É COMEÇAR DO ZERO?

Há no Brasil um formato eleito, em 2007, como um dos projetos mais avançados de educação no mundo, em avaliação feita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e pela Microsoft.

É uma escola democrática que busca maior participação do estudante e a formação de um indivíduo mais feliz, pronto para viver em sociedade e também para se destacar no mercado de trabalho.

Ricardo Semler.

Colocar um motor de BMW em um fusca velho. Essa é a comparação que o empresário Ricardo Semler faz ao falar sobre

mudanças no sistema de ensino brasileiro. Segundo ele, os métodos atuais precisam ser modificados completamente, usando o conhecimento acumulado pela humanidade para oferecer soluções mais eficazes de educação.

Em palestra realizada no evento Sala Mundo, que aconteceu no segundo semestre de 2011, em Curitiba (PR), Semler afirma que nenhum lugar do mundo está 100% satisfeito com seu sistema educacional e que alunos e professores estão desestimulados com o ensino. Enquanto os docentes perderam o ideal que tinham quando escolheram a profissão, os alunos não querem ficar na escola.

Baseado na ideia grega de educação, Semler criou a escola Lumiar e o método Synapses. Hoje a Lumiar conta com três estabelecimentos: uma escola particular na capital paulista, uma instituição de ensino pública, em parceria com a prefeitura de Santo Antônio do Pinhal (SP), e a Lumiar Internacional, também de Santo Antônio do Pinhal, além do Instituto Lumiar, que são mantidos pela Fundação Ralston-Semler. O formato foi eleito, em 2007, como um dos projetos mais avançados de educação no mundo, em avaliação feita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e pela Microsoft. O método propõe a presença de tutores e mestres em substituição ao professor, a transmissão de conteúdos por módulos de aprendizado e oficinas, além de sistema diferenciado de avaliação. É uma escola democrática que busca maior participação do estudante e a formação de um indivíduo mais feliz, pronto para viver em sociedade e também para se destacar no mercado de trabalho. Em entrevista exclusiva à Gestão Educacional, o empresário aborda a experiência da Lumiar e como o modelo Synapses vai ao encontro das necessidades educacionais atuais.

Gestão Educacional: Com a escola Lumiar, que foi fundada em 2003, houve a oportunidade de começar tudo do zero, estabelecendo o modelo Synapses desde o início. Mas como estabelecer essa mudança em uma escola que trabalha, há anos, com o formato de ensino tradicional?

Ricardo Semler: Na escola particular, nós pudemos começar do zero e ter muitas liberdades de implantação, mas na escola pública não foi assim, e a nossa experiência pode responder a essa questão. Chegamos a essa escola municipal em Santo Antônio do Pinhal e já havia um prédio, professores, diretora, alunos, e readequamos todos nesse novo formato de ensino. E fizemos isso de um ano para o outro, iniciando logo no início do ano letivo seguinte, adaptando o conteúdo para ser transmitido no formato Mosaico, que é um modelo personalizado, que busca trazer um enfoque mais local, por tópicos, refletindo as culturas e ideologias nas quais o aluno está inserido.

Gestão Educacional: Então, não é preciso jogar fora o currículo e começar do zero?

Semler: Não. Nós não jogamos fora o currículo que já existia na escola pública, apenas adaptamos o conteúdo no Mosaico. Mesmo no modelo Synapses, nós temos um currículo, com assuntos que devemos transmitir durante o ano letivo, e conseguimos dar conta de todo os PCNs [Parâmetros Curriculares Nacionais], cobrindo todo o conteúdo.

Gestão Educacional: Após as mudanças que foram aplicadas na escola pública, os professores e alunos estranharam o novo modelo de ensino?

Semler: O que eu acredito que houve foi uma sensação de liberdade extraordinária. De repente, os professores perceberam que não precisavam mais exercer aquele papel autoritário e torturante, que não agradava a ninguém. E, é claro, houve uma grata surpresa ao perceberem que os alunos se tornaram cada vez mais ativos e envolvidos nas atividades escolares. Ao conversar com eles, percebe-se algo que não se vê em outras escolas: eles [os educandos] são mais curiosos, participativos e desenvolvem uma maior autoconfiança, principalmente pela participação ativa que têm em sua própria educação. O problema maior que encontramos por lá é em relação aos pais, que têm dificuldades de levar os seus filhos embora da escola, no final do dia.

Gestão Educacional: Desde que eram estudantes, os pais estão acostumados com o modelo de avaliação tradicional, com provas e notas no boletim. Como é a receptividade deles com o formato de avaliação diferenciada da Lumiar, em que o resultado não é medido dessa forma?

Semler: Na verdade, os pais não têm nenhuma rejeição quanto ao sistema avaliativo da Lumiar. Isso porque, em vez de receber uma nota que eles já sabiam que era uma “furada”, eles recebem uma avaliação muito mais completa. É uma verdadeira explicação sobre como o aluno está se desenvolvendo em sala de aula, se está dando conta do conteúdo trabalhado ou não, enfim, é um registro de tudo o que está acontecendo com seu filho. Uma reclamação que recebemos é que não precisamos enviar tanta explicação para os pais, podemos diminuir a quantidade de relatórios.

Gestão Educacional: Se um professor entendeu o conceito, compreendeu a mensagem e os benefícios do modelo Synapses, mas a escola em que trabalha pratica um sistema tradicional de ensino, é possível ele aplicar os princípios isoladamente, dentro de sala de aula?

Semler: Isso varia. Há alguns aspectos do conjunto que ele pode aplicar sozinho, principalmente em relação à transmissão de conteúdo. Sair daquele assunto pré-fixado e sem contexto e encontrar uma forma de melhor aplicá-lo na vida dos alunos. Melhorar essa contextualização do conteúdo para o estudante não é algo tão difícil. O que fazemos na Lumiar é, a cada dois meses, selecionar o tema que será trabalhado no bimestre. É um mesmo tema, que os alunos ajudam a escolher, e que irá contextualizar o currículo. Por exemplo, o tema é Copa do Mundo e, dentro desse assunto, podemos abordar inúmeros conteúdos, como a geometria do campo de futebol, a eletricidade usada para iluminar um jogo, como e por que acontece a câimbra nos atletas, por que a maioria dos jogadores da Holanda é negra, entre muitos outros.

Gestão Educacional: A escola Lumiar atende alunos até os 14 anos. Depois disso, eles precisam ir para uma escola tradicional cursar o ensino médio. Como é essa transição para os alunos, que entrarão no ritmo frenético e competitivo dos estudos para o vestibular?

Semler: Não tem havido problemas na transição de alunos das escolas Lumiar para outras instituições. Do ponto de vista acadêmico, esse estudante não está atrasado e, até mesmo, sente certa diminuição no ritmo de ensino ao qual está acostumado. Mas é inegável que, nesse momento, ele entra em uma “fase cruel” que não vivia até então. Mesmo se ele não precisasse enfrentar isso no ensi­no médio, ele iria encontrar o sistema na universidade e depois no mercado de trabalho. O vestibular também não é um problema para nossos alunos, pois eles o veem apenas como um obstáculo para algo que querem. Depois que eles descobrem sua vocação, passar no vestibular passa a ser uma meta, um objetivo, e com essa força de vontade, tudo está resolvido.

Gestão Educacional: Outra prática das escolas Lumiar é o momento da Roda, em que os alunos participam, junto com o corpo docente, das de­cisões da instituição, inclusive em aspectos relacionados a regras de comportamento e conduta. Como explicar a importância disso para crianças de educação infantil?

Semler: As crianças de 4 e 5 anos são perfeitamente capazes de entender a dinâmica da cidadania. Elas lidam muito bem com regras, com mais facilidade e ainda mais cedo do que imaginamos.

Gestão Educacional: Um modelo bastante alternativo que tem se destacado no mundo é a Escola da Ponte, em Portugal, em que não há sala de aula ou separação por faixa etária. Como o senhor observa esse modelo?

Semler: A Escola da Ponte é um modelo interessante que busca oferecer mais liberdade no formato, mas ainda confere muita importância ao conteúdo, da mesma forma que os sistemas tradicionais. Nisso nos diferenciamos. Hoje, a educação tem como desafio ser transformada por completo. Deve-se parar de fazer mudanças ou reformas em um sistema que já é obsoleto e ultrapassado. Como sempre exemplifico, é tentar colocar um motor de BMW em um fusca velho.

Entrevista publicada na edição de janeiro da revista Gestão Educacional. 

ECOanimAÇÃO Cultura Ambiental e Sustentabilidade

A ECO AnimAÇÃO,  oferece cursos online de SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO E CIDADANIA AMBIENTAL e oferece ferramentas de comunicação para realizar atividades individuais e em grupo, se comunicar e trocar experiências de forma assíncrona e síncrona com os colegas da turma e o professor tutor.

O século XXI começa em meio de uma emergência sócio-ambiental que promete se agravar se mantivermos as tendências atuais; uma problemática profundamente enraizada na cultura, nos valores, nos supostos epistemológicos, e no conhecimento, que configuram o sistema político, econômico e social que vivemos. Uma crise do ser, que se manifesta em toda sua plenitude, nos espaços internos ao sujeito, nas condutas sociais auto-destrutivas; e nos espaços externos, a degradação da natureza e da qualidade de vida das pessoas.

A humanidade tem chegado a uma encruzilhada que lê exige examinar-se e intentar encontrar novas trilhas, reflexionando sobre a cultura, as crenças, valores e conhecimentos em que se baseia seu comportamento cotidiano. Uma cultura na qual a educação tem uma enorme influência, devido a seu caráter produtor e reprodutor de saberes e valores sociais vigentes; por isso, a educação não pode nem deve estar alheia a este processo de busca de alternativas socioambientais.

A educação deve produzir seu próprio giro copernicano focando-se em formar as gerações atuais, não só para aceitar a incerteza, mas também para gerar um pensamento complexo e aberto as indeterminações, a mudança, a diversidade, a possibilidade de construir e reconstruir em um processo continuo de novas leituras e interpretações do mundo.

Este ambiente online dá acesso aos cursos SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO E CIDADANIA AMBIENTAL e oferece ferramentas de comunicação para realizar atividades individuais e em grupo, se comunicar e trocar experiências de forma assíncrona e síncrona com os colegas da turma e o professor tutor.

Esperamos que este seja o começo de uma jornada que possibilite começar a dar respostas aos nossos alunos, jovens que estão, como muitos de nos, buscando alternativas que possibilitem enxergar um futuro.

Achamos que um bom começo para esta jornada é refletir sobre Discurso de Severn Suzuki na ECO de 1992, no Rio de Janeiro. Uma mensagem de uma criança de 13 anos destinada aos adultos. Uma mensagem que como professores não podemos ignorar.

A GESTÃO EDUCACIONAL E A SUSTENTABILIDADE DO PLANETA

 

Na Revista Gestão Educacional  deste mês (Agosto/2012), na coluna Tendências por Marcelo Freitas, o assunto foi sustentabilidade. A matéria fala sobre essa nova proposta para o  carácter educacional. Fica clara a necessidade de revermos nosso conceito nas práxis docente e na gestão escolar,  para que desde já comecemos a colher bons frutos.

” É crescente a cobrança da sociedade para que as empresas atuem de forma responsável, socialmente.

Marcelo Freitas

Agradeço a Revista por compartilhar essa visão, leia um trecho:

Nesse particular, com seu potencial técnico, experiência no campo da pesquisa e capacidade de mobilização, as instituições educacionais, podem e devem, contribuir mais incisivamente para o desenvolvimento sustentável. Elas  têm de assumir seu papel de agente de transformação cultural. Devem, portanto, praticar a chamada “gestão responsável”.

 

Jesus Henry Christ é uma comédia de Dennis Lee

Escrito e dirigido pelo coreano Dennis Lee (“Um Segredo Entre Nós”), Jesus Henry Christ é o primeiro longa-metragem produzido por Julia Roberts (e sua irmã Lisa). A comédia dramática conta a história de um garoto de 11 anos que tem o segundo maior QI do mundo.

Totalmente pedagógico, assistam:

 

Perfeito é um curta metragem sobre o EGOÍSMO

Com um enredo educativo o curta Perfeito, é uma ótima pedida  para desenvolver com os alunos os problemas que encontramos quando o assunto é egoísmo. Afinal,  quem só enxergar seu próprio interesse nem sempre se dá bem.

Indicado para alunos acima do 4 º ano.

Criação, direção e produção – Mauricio Bartok

Música  -Andre Arruda  e Wiliam Roscito

Sound FX e Mix – Jose Miguel 

Assistam:

Neurociência: como ela ajuda a entender a aprendizagem

Com avanço tecnológico a Neurociência comprava o que muitos teóricos já discutiam sobre estímulos cognitivos. Ela pode afirmar o que antes era impossível, de um ponto de vista clínico. Hoje a neurociência veio para confirmar as teorias já formuladas por meio da pratica “praxis” pedagógica.

Certamente a neurociência tem muito a agregar, bem como confirmar teorias formuladas a partir da praxis pedagógica. Da mesma forma, creio que muitas teorias tidas como verdades absolutas na Psicologia da Educação tomarão novos rumos, bem mais pontuais e comprováveis, com o avanço desses estudos neurocientíficos.O indicado é que a Pedagogia, a Psicologia e a Neurociência possam fomentar projetos em parcerias, cujos resultados serão (e já têm sido!) um grande avanço no processo ensino-aprendizagem.

Simone Bastos

“O que hoje a Neurociência defende sobre o processo de aprendizagem se assemelha ao que os teóricos mostravam por diferentes caminhos”, diz a psicóloga Tania Beatriz Iwaszko Marques, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estudiosa de Piaget. O avanço das metodologias de pesquisa e da tecnologia permitiu que novos estudos se tornassem possíveis. “Até o século passado, apenas se intuía como o cérebro funcionava. Ganhamos precisão”, diz Lino de Macedo, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), também piagetiano. Mas é preciso refletir antes de levar as ideias neurocientíficas para a sala.

A Neurociência e a Psicologia Cognitiva se ocupam de entender a aprendizagem, mas têm diferentes focos. A primeira faz isso por meio de experimentos comportamentais e do uso de aparelhos como os de ressonância magnética e de tomografia, que permitem observar as alterações no cérebro durante o seu funcionamento. “A Psicologia, sem desconsiderar o papel do cérebro, foca os significados, se pautando em evidências indiretas para explicar como os indivíduos percebem, interpretam e utilizam o conhecimento adquirido”, explica Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e especialista em aprendizagem significativa, campo de estudo de Ausubel.

As duas áreas permitem entender de forma abrangente o desenvolvimento da criança. “Ela é um ser em que esses fatores são indissociáveis. Por isso, não pode ser vista por um único viés”, diz Claudia Lopes da Silva, psicóloga escolar da Secretaria de Educação de São Bernardo do Campo e estudiosa de Vygotsky.

Sabemos, por exemplo, com base em evidências neurocientíficas, que há uma correlação entre um ambiente rico e o aumento das sinapses (conexões entre as células cerebrais). Mas quem define o que é um meio estimulante para cada tipo de aprendizado? Quais devem ser as intervenções para intensificar o efeito do meio? Como o aluno irá reagir? “A Neurociência não fornece estratégias de ensino. Isso é trabalho da Pedagogia, por meio das didáticas”, diz Hamilton Haddad, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da USP. Como, então, o professor pode enriquecer o processo de ensino e aprendizagem usando as contribuições da Neurociência?

Para o educador português António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, responder à questão é o grande desafio do século 21. “A estrutura educacional de hoje foi criada no fim do século 19. É preciso fazer um esforço para trazer ao campo pedagógico as inovações e conclusões mais importantes dos últimos 20 anos na área da ciência e da sociedade”, diz.

Ao professor, cabe se alimentar das informações que surgem, buscando fontes seguras, e não acreditar em fórmulas para a sala de aula criadas sem embasamento científico. “A Neurociência mostra que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. O educador precisa potencializar essa interação por parte das crianças”, afirma Laurinda Ramalho de Almeida, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e especialista em Wallon.

Matéria  publicada na edição de junho/julho de 2012 da revista Nova Escola