Princípios pedagógicos para uma sociedade sustentável (Moacir Gadotti)

Valorizar o homem dentro das suas condições reais e naturais, sem questionar suas origens e posicionamento social, é sem dúvida alguma, a melhor e mais propicia forma e atitude que devemos tomar quando o assunto é  EDUCAÇÃO.  

Criar uma atmosfera onde todos somos parte de um propósito, uma busca na jornada da vida. Selar a união e respeitar os diversos caminhos que ocorrem durante a sua trajetória,  é o bem comum, o amor  ao tudo, esse todo é a natureza, a vida, todo o Ser.  

Neste texto o sustentável vai além do que ouvimos falar de sustentabilidade pelos meios comuns de comunicação:

Moacir Gadotti

Para entender o que é ecopedagogia precisamos começar por explicitar o que é pedagogia e o que é sustentabilidade. Nos livros de Francisco Gutiérrez eDaniel Prieto sobre a “mediação pedagógica” (1994 e 1994[a], os autores definem pedagogia como o trabalho de promoção da aprendizagem através derecursos necessários ao processo educativo no cotidiano das pessoas. Para eles, avida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passainexoravelmente por ela. Amídia eletrônica, nos interligando ao mundo todo, nãoanula esse lugar, pois “a revolução eletrônica cria um espaço acústico capaz da  globalizar os acontecimentos cotidianos” (Gutiérrez, 1996: 12) tornando o local,global e o global, local. É o que chamamos, nas Organizações Não-Governamentais (ONGs), de “gloca”. O cotidiano e a história fundem-se numtodo. A cidadania ambiental local torna-se também cidadania planetária. Mas, “não podemos falar em cidadania planetária excluindo a dimensão social do desenvolvimento sustentável” (Gutiérrez, 1996: 13). Essa advertência de Francisco Gutiérrez é esclarecedora pois é preciso distinguir um ecologismo elitista e idealista, de um ecologismo crítico que coloca o ser humano no centro do bem-estar do planeta. Só que “… o bem-estar não pode ser só social, tem deser também sócio-cósmico…”, como afirma Leonardo Boff (1996: 3). O planetaé a minha casa e a Terra, o meu endereço. Como posso viver bem numa casa malarrumada, mal cheirosa, poluída e doente?Para Francisco Gutiérrez, parece impossível construir um desenvolvimento sustentável sem uma educação para o desenvolvimento sustentável. Para ele, odesenvolvimento sustentável requer quatro condições básicas . Ele deve ser:1. economicamente factível2. ecologicamente apropriado3. socialmente justo4. culturalmente eqüitativo, respeitoso  e sem discriminação de gênero.Essas condições do desenvolvimento sustentável são suficientemente claras,auto-explicativas. O desenvolvimento sustentável, mais do que um conceito científico, é uma idéia-força, uma idéia mobilizadora, nesta travessia de milênio.A escala local tem que ser compatível com uma escala planetária. Daí aimportância da articulação com o poder público. As pessoas, a Sociedade Civil,em parceria com o Estado, precisam dar sua parcela de contribuição para criarcidades e campos saudáveis, sustentáveis, isto é, com qualidade de vida.Em seu livro Pedagogia para el Desarrollo Sostenible (1994), Francisco Gutiérrez denomina “desenvolvimento sustentável” como aquele que apresenta  algumas características (ou “chaves pedagógicas”) que se completam entre elas numa dimensão maior  (holística) e que apontam para novas formas de vida do“cidadão ambiental”:1ª – Promoção da vida para desenvolver o sentido da existência . Devemospartir de uma cosmovisão que vê a Terra como um “único organismo vivo”.Entender com profundidade o planeta nessa perspectiva implica uma revisão de nossa própria cultura ocidental, fragmentária e reducionista, que considera aTerra um ser inanimado a ser “conquistado” pelo homem.

Enfeites Natalinos Sustentáveis

O natal está chegando e as ruas, avenidas e casas demonstram o espírito natalino em cada uma de suas decorações. É possível deixá-las mais sustentáveis, através do reaproveitamento de materiais que seriam facilmente descartados.

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1. Árvore de natal de com sobras de madeira

Aprenda a fazer uma árvore de natal com o reaproveitamento sobra de madeiras. A sugestão é simples, e para fazer sua “obra de arte” basta ter restos de madeira, pregos e martelo. Com eles você pode criar árvores pequenas, grandes ou do tamanho de enfeites.

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2. Enfeites de natal com gravetos de jardim

A sugestão é utilizar “restos de jardinagem” como pequenos gravetos e transformá-los em enfeites natalinos. Os enfeites são fáceis de criar e podem ser feitos até pelas crianças. Para ter uma noite estrelada, use galhos do jardim para fazer as decorações de janelas ou da própria árvore.

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3. Enfeite de rena reaproveitando rolhas

As rolhas usadas podem ser reaproveitadas e transformadas na base de um enfeite de natal. Com este material será feito uma rena. O trabalho é tão simples que crianças de três anos poderão ajuda.

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4. Guirlandas de natal com garrafas PET

As garrafas PET estão presentes no nosso dia-a-dia e são responsáveis por grande volume nos lixões e aterros sanitários bem como a contaminação do solo. Porém existem diversas maneiras de você evitar o descarte deste material que pode ser totalmente reaproveitado. O CicloVivo dá a dica de como você pode reutilizar as garrafas PET e enfeitar sua casa para o natal de forma consciente.

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5. Enfeite para árvore de natal feito de lâmpada queimada

Para transformar sua lâmpada velha em enfeites de árvore de natal, basta pintá-las a mão livre com motivos natalinos. O desenho é simples e fácil de fazer, porém se desenhar não for seu ponto forte, a sugestão é pintá-las com as cores do natal, vermelha e verde.

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6. Anjinhos de natal utilizando latas de alumínio

Latas de alumínio são um dos materiais mais reciclados no Brasil. Por não ter aparentemente muita funcionalidade, este vasilhame acaba sendo descartado. No entanto, ele pode ser muito utilizado para fazer artesanatos. A sugestão é utilizar as latinhas para fazer anjinhos, que podem ser usados para enfeitar presépios, móveis ou árvores de natal.

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7. Presépio de revistas velhas

Presépios sempre fazem parte da decoração de natal. A dica do CicloVivo é inspirada no projeto de artesãos vietnamitas que utilizam revistas velhas como matéria-prima.

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8. Sino de natal reutilizando garrafas PET

É possível dar um destino melhor para as garrafas plásticas. O CicloVivo ensina como transformá-las em um lindo sino de natal.

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9. Árvore de natal de garrafas PET

Para ajudar a minimizar o problema dos aterros sanitários e ainda economizar dinheiro o CicloVivo ensina como fazer uma árvore de natal reaproveitando garrafas PET.

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10. Boneco de neve e floco de neve

Os enfeites podem ser feitos com restos de tecido, meias, palitos de sorvete, entre outros. A dica que o CicloVivo separou, é um enfeite de boneco e um floco de neve, feitos de maneira sustentável.

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Fonte:http://ciclovivo.com.br/noticia/10_enfeites_natalinos_sustentaveis_para_voce_fazer

O FUTURO DEVE SER ORGÂNICO – E OS PARLAMNETOS TAMBÉM!

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Por Ricardo Young*

Eles passam discretos na nossa comida e pelo ar – de inseticidas – que respiramos tranquilamente: invisíveis, inodoros, insípidos, mas nada inertes. Os agrotóxicos causam efeitos crônicos quando consumidos em pequenas doses constantes na alimentação: desde infertilidade e impotência até mutações e câncer. Transformar essa trágica realidade é urgente, mas a última coisa que podemos pedir é uma proibição burra. Qual a primeira? Visão sistêmica.

De nada adianta proibir todo o 1 bilhão de litros de agrotóxicos usados no país, que é o maior consumidor de pesticidas do mundo, se a produção orgânica não dá conta de atender toda a demanda por alimentação. Também não é suficiente dar incentivos à produção agroecológica se os consumidores não priorizam essa escolha, nem têm informações para tomar a decisão de compra conscientemente. Portanto, o legislador, ao conhecer as diversas complexidades sistêmicas, deve fazer o marco regulatório que integre os desafios de coibição dos agrotóxicos, estímulo da produção orgânica e disseminação de novos valores e hábitos.
Para começar, existe uma forma de proibir: os princípios ativos já banidos da Europa devem ser proibidos imediatamente.Alimentos-Orgânicos

Os menos graves devem ser retirados progressivamente, conforme a oferta de orgânicos e alimentos saudáveis seja absorvida e, a produção tradicional, rejeitada. Já no campo da produção, é urgente estimular o encurtamento da logística, de modo que o produto seja consumido o mais próximo possível de onde foi produzido. Afinal, é um crime para a sustentabilidade que a população da Amazônia tenha que comer verduras produzidas no Cinturão Verde de São Paulo!

O Poder Legislativo pode ter atuação significativa regulamentando a logística para privilegiar a ação local, inclusive inibindo a chegada de grandes redes de supermercados onde há varejo local consistente.

Já a mudança de valores é a que mais exige uma conexão do legislador com a sociedade civil organizada. Ele deve ser o catalisador das boas práticas. O Instituto Akatu, por exemplo, sugere a destinação por lei de 5% do dinheiro investido em publicidades televisivas para patrocinar inserção de anúncios de consumo consciente e alimentação saudável.

Diversos autores da Educação Ambiental defendem que as hortas podem ter um papel central no trabalho escolar, através das quais seria possível ensinar praticamente todas as disciplinas, lembrando aos alunos que o mundo é também um todo interdependente.

No campo e na cidade, é preciso resgatar o valor do cultivo. A praga dos defensivos também resultou em uma lavagem cerebral, que nos tornou dependentes de produtos e patentes ao nos fazer perder o conhecimento sobre a infinita riqueza e fertilidade da terra e de seu uso tradicional.

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É preciso recapacitar o produtor rural para esses saberes e também a população urbana, para utilizar todo e qualquer espaço, incluindo lajes, vasos e paredes – como já são exemplo as hortas verticais – na complementação da sua alimentação com orgânicos produzidos localmente. É preciso viabilizar incentivos econômicos para prédios que tenham tetos verdes. E olha aqui como a visão sistêmica mata as charadas numa estratégia só: o teto verde produz alimentos, pode ser irrigado com água pluvial captada por cisternas e ainda contribui para o combate às mudanças climáticas e o efeito das ilhas de calor dos centros urbanos.veja38-mapa

Para que a mudança aconteça “do local ao global”, como diz a Agenda 21, os cidadãos precisam cobrar seus representantes nos níveis federal, estadual e municipal, com muita atenção à premissa zero da atuação política: independência em relação às grandes corporações – que vêm colocando em xeque a regulamentação dos agrotóxicos permitidos no país. Só a ação em conjunto pode trazer a agricultura orgânica para o topo da pauta do interesse público. Nutrindo verdadeiramente e nos reconectando com a terra, ela tem tudo para ser enzima catalisadora da transição à sustentabilidade.

*RICARDO YOUNG, 56, empresário, é vereador de São Paulo pelo PPS. Foi presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

 

 

 

http://revistasustentabilidade.com.br/o-futuro-deve-ser-organico-e-os-parlamentos-tambem/

Reconstruindo o Meio Ambiente com Amor

A busca de um desenvolvimento sustentável, que tenha como objetivo central a qualidade de vida, sem no entanto deixar de utilizar tecnologias modernas, é um desafio para os países em desenvolvimento, como o Brasil, que precisam produzir para aumentar e garantir o crescimento econômico, reduzir a pobreza e manter seu ambiente da melhor forma possível.

191. O Amor sua natureza e realização

PREA – Programa de Educação Ambiental da Embrapa Florestas

 

As florestas naturais, embora renováveis, têm uma capacidade limitada de satisfação das necessidades humanas e, se superexploradas, podem ser levadas a um ponto de degradação irreversível. Em várias regiões essa situação já ocorreu, ocasionando inclusive bolsões de desertificação, em outras, a situação é gravíssima.

“Há hoje uma flagrante disparidade entre o desenvolvimento do poder intelectual, o conhecimento científico e a qualidade tecnológica, por um lado, e a sabedoria, a espiritualidade e a ética, por outro” (Rebouças, 1989). Isto mostra que a sociedade vem ignorando, até mesmo menosprezando, as relações ecológicas diárias entre ela e a natureza, dando margem ao surgimento de uma catástrofe ambiental que poderá explodir num futuro não muito distante

A busca de um desenvolvimento sustentável, que tenha como objetivo central a qualidade de vida, sem no entanto deixar de utilizar tecnologias modernas, é um desafio para os países em desenvolvimento, como o Brasil, que precisam produzir para aumentar e garantir o crescimento econômico, reduzir a pobreza e manter seu ambiente da melhor forma possível.2921727

Para o desenvolvimento desse novo paradigma há necessidade de que a educação e a cidadania sejam os principais caminhos a serem seguidos pela sociedade. Refletir e agir holisticamente passam a ser pontos cruciais para a nossa espécie. Para tanto, o ensino, a ciência e a tecnologia não podem se desvincular dos aspectos ambientais e sociais. É preciso resgatar o ser humano como parte essencial da natureza. A cada dia, crianças em idades cada vez mais tenras se desvinculamda natureza em função da urbanização acelerada devido às transformações na forma de produção e dos mecanismos de atração das grandes cidades e metrópoles.

As ferramentas e estratégias de educação ambiental passam a ter extrema importância para o resgate deste vínculo.

Geralmente, o educador ambiental defende isoladamente o elemento natural com o qual trabalha (água, solo, ar, flora, fauna e ser humano), esquecendo-se não só de inserir-se como parte integrante do meio ambiente, como também de fazer as interrelações entre estes elementos.

Muitas vezes, a educação ambiental é realizada de maneira muito formal, fazendo da cabeça das pessoas um mero depósito de informações, acreditando que o simples contato com a nova informação desencadeia um processo interno de assimilação, processamento e aplicação prática de idéias, deixando de inserir o ser humano no ambiente.

O conhecimento tem sido repassado sem considerar a essência humana. Encarar o ser humano, unicamente, como predador, culpando-o pela degradação ambiental, não abre portas para uma mudança de comportamento. É preciso alcançá-lo em sua plenitude, transformando-o em um reconstrutor da natureza, transmitindo e relacionando os conteúdos ambientais às necessidades e aspirações dos seres humanos.

As informações técnicas aplicadas de forma isolada, desconectadas da realidade, desestimulam as pessoas a aplicarem o que aprenderam, o que não ocorre quando essas informações são associadas às suas emoções. 0407302152331peacen

Até agora estivemos andando na contramão, procurando salvar a natureza através do homem, esquecendo que só conseguiremos isto resgatando o homem através da natureza. O ensino que causa impacto é o que passa de um coração para o outro. Isto engloba a totalidade do ser, intelecto, emoção e vontade.

Desta forma, é preciso atuar na educação ambiental com praticidade, simplicidade, naturalidade e, sobretudo, com amor.

Marcos Rachwal Rachel Gueller Souza

 

Uma em cada 8 pessoas no mundo ainda passa fome

Relatório aponta que 842 milhões de pessoas no mundo sofreram com fome crônica no período de 2011-13 e não conseguiram obter alimento suficiente para uma vida ativa e saudável.

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Publicado todos os anos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricutura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (IFAD) e o Programa Mundial de Alimentação (PMA) o estudo Situação de Insegurança Alimentar no Mundo aponta que o crescimento econômico continuado dos países em desenvolvimento melhorou a renda e o acesso à comida.

O estudo também mostra em detalhes uma situação que pode permanecer invisível, a desnutrição infantil. Um quadro que compromete o pleno desenvolvimento das crianças e sua saúde futura.

Um dos caminhos para enfrentar o problema da fome crônica são as transferências de renda:

“A iniciativa de FAO “Da Proteção para a Produção” <http://www.fao.org/economic/ptop/en/> oferece evidências promissoras de como as transferências de renda na África Subsaariana pode fomentar tanto benefícios imediatos como de longo prazo. Os resultados iniciais sugerem que as transferências levam ao aumento dos investimentos no patrimônio agrícola, incluindo implementos agrícola e pecuária, e maior participação do consumo doméstico sendo abastecido pela produção da agricultura familiar. Há também evidências de que esses programas criam significativos efeitos multiplicadores de renda por meio da conexão entre comércio e produção.”

Dados da fome no mundo:

  • A maior parte das pessoas subnutridas ainda são encontradas no Sul da Ásia (295 milhões), seguidas pela África Subsaariana (223 milhões) e Ásia Oriental (167 milhões).
  • Para atingir o ODM 1, a prevalência da fome precisa ser reduzida para menos 12% até 2015. Atualmente está em 14,3%.
  • Até outubro de 2013, 62 países já atingiram a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas sofrendo com a fome. Outros 6 países estãoa a caminho de alcançar o ODM 1 até 2015.
  • Além desses 62 países, 22 também alcançara as metas da Cúpula Mundial da Fome (CMA) de redução do número de pessoas famintas até 2015.
  • Para alcançar a meta da Cúpula, o número de pessoas com fome nos países em desenvolvimento terá que cair para 498 milhões até 2015, o que está fora dos alcance pelas taxas atuais de redução.

Imagem: Mapa da Fome no Mundo 2013.

Saiba mais no site da FAO: Fome Global Diminui, mas milhões ainda estão cronicamente famintos.

Fonte: http://futuro.alana.org.br/post/62903967337/uma-em-cada-8-pessoas-no-mundo-ainda-passa-fome

Paulo Freire e a educação socioambiental

Ao visitar o site Boletim Unifreire encontrei esse maravilhoso artigo escrito por Sheila Ceccon que transcreve claramente a visão acolhedora, encantadora  e justa do que é uma EDUCAÇÃO AMBIENTAL, Paulo Freire um eterno visionário…

Sheila Ceccon1

Revisitar a obra de Paulo Freire sob a perspectiva da sustentabilidade é um exercício instigante, que possibilita tecer novos olhares sobre determinados textos desvelando sentidos cuja atualidade impressiona.

Compreendo educação socioambiental como aquela que forma sujeitos comprometidos com a valorização da vida, em todas as suas formas, que respeitam a si mesmos, aos outros e ao mundo. Sujeitos cujas práticas diárias são intencionais, impregnadas de sentido. Percebem a inter-relação existente entre as atitudes individuais e os impactos socioambientais locais, regionais e planetários. Cidadãos que não se contentam em agir individualmente de forma responsável, mas ocupam os espaços de participação social buscando contribuir para a transformação de atitudes de tantos outros sujeitos. Homens e mulheres que exercem ativamente sua cidadania, acreditando na possibilidade de transformar a realidade tornando-a mais justa e mais feliz.

A importância da formação desses sujeitos, que se posicionam frente a realidade não se deixando enredar pela massificação de comportamentos tão comum em nossa sociedade, que nos faz abrir mão do direito a decidir o que queremos ser ou fazer, foi explicitada por Paulo Freire já na década de 1960, em seu livro Educação como Prática da Liberdade. Nele, Freire dizia que uma das grandes, se não a maior, tragédia do homem moderno, está em que é hoje dominado pela força dos mitos e comandado pela publicidade organizada, ideológica ou não, e por isso vem renunciando cada vez mais, sem o saber, à sua capacidade de decidir. ( FREIRE, 1967 p. 51)

Quase quatro décadas depois, seguimos esgotando elementos da natureza e contribuindo para o aviltamento das relações trabalhistas por meio da competição acirrada entre produtos com origens geográficas das mais variadas, e contextos políticos e socioeconômicos absolutamente diferentes. Consumir é o lema. A obsolescência programada é um fato com o qual convivemos passivamente, ou seja, produtos têm sua vida útil intencionalmente curta, para que novos modelos sejam adquiridos. Como resultado temos o esgotamento de recursos naturais sendo acelerado, solos, água e ar sendo contaminados mais rapidamente, depósitos de rejeitos se multiplicam, uma grande parcela da população se endivida e, em contrapartida, uma minoria torna-se cada vez mais rica.paulo_freire

Temos renunciado à nossa capacidade de decidir, embalados pela força dos mitos e comandados pela publicidade organizada, sem que nos perguntemos a favor de que e de quem estão esses valores. Temos nos deixado “expulsar da órbita das decisões”, como escreveu Paulo Freire no mesmo livro. Segundo ele, “as tarefas de seu tempo não são captadas pelo homem simples, mas a ele apresentadas por uma elite que as interpreta e lhas entrega em forma de receita, de prescrição a ser seguida. E quando julga que se salva seguindo prescrições, afoga-se no anonimato nivelador da massificação, sem esperança e sem fé, domesticado e acomodado: já não é sujeito”. ( FREIRE, 1967 p. 51)

Problematizar a realidade buscando compreendê-la, posicionar-se em relação a ela e repensar valores e atitudes, é uma ação educativa de fundamental importância, dentro e fora do ambiente escolar. É uma prática que forma “sujeitos”. Não é possível ensinar por ensinar, como se o mundo fosse algo distante dos conteúdos previstos nas disciplinas, alheio ao conhecimento encontrado nos livros. Compreender a realidade e construir possibilidades de nela intervir, torna vivo o conhecimento escolar e mobiliza, engaja, constrói o hábito de buscar construir novas realidades frente aos desafios encontrados.

Na década de 1970, em seu livro Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire escreveu que quanto mais os educandos problematizam a realidade, como seres no mundo e com o mundo, tanto mais se sentem desafiados. E quanto mais desafiados, mais se sentem obrigados a responder ao desafio. Afirma que “desafiados, compreendem o desafio na própria ação de captá-lo. Mas, precisamente porque captam o desafio como um problema em suas conexões com outros, num plano de totalidade e não como algo petrificado, a compreensão resultante tende a tornar-se crescentemente crítica, por isto, cada vez pais desalienada.” (FREIRE, 1970, pg. 70)

Formar sujeitos comprometidos com a preservação da vida, que percebem a humanidade como uma grande família integrada ao planeta Terra e sentem-se responsáveis por agir no sentido de tornar o mundo um lugar melhor, não é algo simples, possível de ser conquistado seguindo o “passo a passo” de livros elaborados sem que as especificidades de territórios e comunidades sejam consideradas. É preciso ler o mundo mais próximo, identificar potencialidades e desafios, compreendê-los e, em uma estreita relação entre escola e vida, livros e mundo, construir coletivamente possibilidades de intervenção. Segundo Freire, a educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é prática da dominação, implica a negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como também a negação do mundo como uma realidade ausente de homens. A reflexão que esta educação propõe, é sobre os homens e sua relação com o mundo. (FREIRE, 1970, pg. 70)

Na década de 1980, em seu livro “A importância do ato de ler”, Freire descreve sua relação com o quintal da casa em que morava, seu mundo imediato, cheio de cores, cheiros, poesia e desafios. A reflexão que faz sobre a densidade da relação existente entre o menino e seu mundo, é, sem dúvida, um sonho para todos/as os/as educadores/as ambientais. Provocar o desligamento do “piloto automático” em que vivemos e aguçar a percepção em relação à vida e às coisas que nos envolvem cotidianamente é um dos grandes objetivos da educação socioambiental e em especial da ecopedagogia.

Nessa publicação, Freire descreve a casa em que nasceu, no Recife, “rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores”. (FREIRE, 1989) Conta que os “textos”, as “palavras” e as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros – o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Segundo ele, os “textos”, as “palavras” e as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores – das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga-espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. (FREIRE, 1989)

Ao descrever o quintal onde morava desvela uma profunda relação com a terra, com plantas e animais, uma profunda integração à natureza. Percebe, sente, observa, toca. Vive, intensamente, sua relação com o mundo. Com o seu mundo imediato de menino. Que por ser tão sensivelmente percebido e vivido, torna-se imenso, intenso, emocionante.

Mas o seu mundo de menino não era só feito de terra, plantas, bichos, vento e cores. No mesmo texto ela fala também das pessoas que dele compartilhavam. “Daquele contexto – o do meu mundo imediato – fazia parte, por outro lado, o universo da linguagem dos mais velhos, expressando as suas crenças, os seus gostos, os seus receios, os seus valores” (FREIRE, 1989, p 10). Fala das pessoas a partir do que sentiam e acreditavam.

Essa forte relação com o mundo e com a humanidade, esse sentimento de pertencimento e de responsabilidade, é a base da educação socioambiental. Freire não só teorizava, vivia. Enquanto menino, vivia intensamente a relação com seu quintal e tudo o que nele existia. Quando adulto, fez história ampliando seu universo de ação. Por meio da educação, contribuiu com a construção de autonomia e formação política dos “excluídos” de diferentes países. Sensibilidade e engajamento, percepção do mundo e compromisso em transformá-lo. Características marcantes do legado freiriano e aspectos fundamentais da educação socioambiental.

A sensibilidade de Paulo Freire em relação à vida de diferentes espécies foi relatada recentemente por seu filho caçula, Lutgardes. Ele relembrou o carinho do pai por animais, o encantamento quando foi para a Amazônia e visitou comunidades indígenas, a satisfação quando conseguiu parar de fumar e passou a sentir-se mais coerente com o que escrevia. “Eu não sei como eu podia dizer e escrever tudo isso e fumar ao mesmo tempo!”, dizia Paulo Freire. Escritos que promoviam a libertação não eram condizentes com algo que aprisiona o poder de decidir e compromete a vida.

A educação socioambiental tem como característica maior a promoção da vida.

Não é uma educação que incentiva a contemplação, mas, ao contrário, que promove o engajamento, a ação política em defesa da vida e de seus direitos.

As injustiças sociais e os crimes ambientais praticados recorrentemente não podem ser motivo de desânimo, mas de desafio. Desafiados devemos seguir, juntos/as, construindo estratégias para transformar a realidade. Nesse sentido, especialmente nós, educadores e educadoras, temos um importante papel.

Na década de 1990, no livro Pedagogia da Autonomia, Freire escreveu que não é possível existir sem assumir o direito e o dever de optar, de decidir, de lutar, de fazer política. Segundo ele isso nos remete à imperiosidade da prática formadora, de natureza eminentemente ética. Nos leva à radicalidade da esperança. Afirma que a realidade não é inexoravelmente essa. Está sendo essa, mas poderia ser outra e é para que seja outra que precisamos, os progressistas, lutar. (FREIRE, 1996, p. 83)

Existem muitas lutas pela frente no campo da educação.

Em livro, publicado após a sua morte, Freire faz um apelo com o qual concluo esse artigo:

 Urge que assumamos o dever de lutar pelos princípios éticos mais fundamentais como do respeito à vida dos seres humanos, à vida dos outros animais, à vida dos pássaros, à vida dos rios e das florestas. Não creio na amorosidade entre homens e mulheres, se não nos tornamos capazes de amar o mundo. A ecologia ganha uma importância fundamental neste fim de século. Ela tem de estar presente em qualquer prática educativa de caráter radical, crítico ou libertador. ( FREIRE, 2000, p 67).

Que possamos, juntos/as, construir e socializar processos educativos que efetivamente tornem o mundo mais próximo do que sonhamos.

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1. Engenheira agrônoma, especialista em Horticultura pela Universidade de Pisa-Itália, mestre em Ensino e História de Ciências da Terra, pelo Instituto de Geociências da UNICAMP. Atua na área de meio ambiente e educação. No Instituto Paulo Freire, coordena a Casa  da Cidadania Planetária, instituição responsável por diferentes projetos na área de educação socioambiental, entre eles o Programa Educação para Cidadania Planetária e o Programa Município que Educa.  Publicou em 2012 o livro “Educação Ambiental Crítica e a Prática de Projetos”, pela Editora e Livraria Paulo Freire.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 14 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

____________Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

___________A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 37. ed. São Paulo: Cortez, 1999.

___________Pedagogia do Oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Petrópolis/Paz e Terra, 1987.

___________Pedagogia da Indignação: Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000.

GADOTTI, Moacir. Educar para a Sustentabilidade. São Paulo: EdL, 2008.

Fonte: Direcional Educador, ano 9, n.100, mai. 2013, p.41-3.

http://boletim.unifreire.org/edicao02/2013/09/11/paulo-freire-e-a-educacao-socioambiental/

Leonardo Boff

Leonardo Boff nasceu em Concórdia, Santa Catarina, aos 14 de dezembro de 1938. É neto de imigrantes italianos da região do Veneto, vindos para o Rio Grande do Sul no final do século XIX.Fez seus estudos primários e secundários em Concórdia-SC, Rio Negro-PR e Agudos-SP. Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.

Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heidelberg (Alemanha).

Esteve presente nos inícios da reflexão que procura articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com o discurso promissor da fé cristã gênese da conhecida Teologia da Libertação. Foi sempre um ardoroso defensor da causa dos Direitos Humanos, tendo ajudado a formular uma nova perspectiva dos Direitos Humanos a partir da América Latina, com “Direitos à Vida e aos meios de mantê-la com dignidade”.

É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos.

De 1970 a 1985, participou do conselho editorial da Editora Vozes. Neste período, fez parte da coordenação da publicação da coleção “Teologia e Libertação” e da edição das obras completas de C. G. Jung. Foi redator da Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984), da Revista de Cultura Vozes (1984-1992) e da Revista Internacional Concilium (1970-1995).leonardo_boff

Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro “Igreja: Carisma e Poder”, foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa das Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas de suas atividades.

Em 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo. “Mudou de trincheira para continuar a mesma luta”: continua como teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do estrangeiros, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador, como o Movimento dos Sem Terra e as comunidades eclesiais de base (CEB’s), entre outros.

Em 1993 prestou concurso e foi aprovado como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Em 8 de Dezembro de 2001 foi agraciado com o premio nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).

Atualmente vive no Jardim Araras, região campestre ecológica do município de Petrópolis-RJ e compartilha vida e sonhos com a educadora/lutadora pelos Direitos a partir de um novo paradigma ecológico, Marcia Maria Monteiro de Miranda. Tornou-se assim ‘pai por afinidade’ de uma filha e cinco filhos compartilhando as alegrias e dores da maternidade/paternidade responsável. Vive, acompanha e re-cria o desabrochar da vida nos “netos” Marina , Eduardo, Maira, Luca e Yuri.

É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.

INDICAÇÕES CULTURAIS

Hans Küng, O princípio de todas as coisas. Ciências naturais e religião, Petrópolis, Vozes 2007, pp. 288.
O livro abre uma discussão franca entre a nova visão do universo elaborada pela nova cosmologia e a visão bíblico-cristã sobre o começo e o fim de todas as coisas.

John F. Haught, Deus após Darwin. Uma teologia evolucionista, José Olypmpio Editora, Rio 2002, 262 pp.
Trata-se de um dialogo profundo com a tradição darwinista em dialogo com a teologia cristã, feita por um teólogo católico leigo de grande profundidade.

Francis S. Collins, A linguagem de Deus.  Um cientista apresenta evidências de que Ele existe., Editora Gente, São Paulo 2007, 279 pp.
O auor é o diretor do projeto Genoma Humano. Começou como ateu e na medida que avançava a pesquisa sobre o genoma humano se dava conta que a interpretação teista é mais sensata que a interpretação atéia, tipo Dawkins.

Joanna Macy e Molly Young Brown, Nossa vida como Gaia. Praticas para reconectar nossas vidas e nosso mundo, Editora Gaia, São Paulo 2004, 255 pp.
Uma excelente introdução pratica ao novo paradigma ecológico com forte caráter espiritual e com exercícios práticos para sentir a Terra como Gai e Grande Mãe.

James Lovelock, A vingança de Gaia. Editora Intrínseca, Rio de Janeiro 2006, 160 pp.
Trata-se do formulador da teoria Gaia, a Terra como um super-organismo vivo. Aborda as conseqüências catastróficass que virão sobre o planeta e sobre a humanidade se não assumirmos sabedoria e cuidado em nossa relação para com a natureza e o sistema da vida.

Evaristo Eduardo de Miranda, Quando o Amazonas corria para o Pacífico. Uma história desconhecida da Amazônia, Editora Vozes, Petrópolis  2007, 254 pp.
É um dos estudos mais completos sobre a Amazônia mostrando que ela era pervadida por culturas indígenas, verdadeiros impérios e que sabiam manejar ecologicamente a natureza e como hoje nos servem de inspiração.

Mike Davis, Planeta Favela, Editora Boitempo, São Paulo 2006, 270 pp.
É um dos estudos mais completos sobre o fenômeno da favelização do mundo que abarca quase metade da humanidade. O autor prevê não uma guerra de civilizações mas um conflito entre o mundo urbanizado e o mundo favelizado. A NASA já se prepara para uma eventual guerra.

Ramonet, Ignácio, Guerras do século XXI. Novos temores e novas ameaças, Editora Vozes, Petrópolis 2003, 192 pp.
O autor,  editor do Le Monde Diplomatique, estuda os novos cenários mundiais, os pontos de fratura entre os povos que estão provocando tensões e guerras com incidências sobre a situação ecológica da Terra.

Fontes: http://www.leonardoboff.com/

http://www.cddh.org.br/index.html

Grafite é arte: pela aprovação do Projeto de Lei nº 840/2013

Nós da iniciativa Arte Fora do Museu apresentamos este abaixo-assinado em apoio ao projeto de lei nº 840/2013, de autoria do vereador Nabil Bonduki, que garante perante a lei a legitimidade do trabalho artístico que vem sendo desenvolvido nas ruas da cidade.

Já existe uma lei federal que poderia ser levada em conta, mas não é sequer lembrada:

Art. 65 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998

Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Incluído pela Lei nº 12.408, de 2011)OSMlFAzJzVeLchX-556x313-noPad

A lei é bem clara quando diz que não é crime quando o grafite realizado tem o objetivo de valorizar o patrimônio público. Exemplos desta forma de arte modificando para melhor a paisagem de São Paulo não faltam. Alguns viraram inclusive pontos turísticos, como o Buraco da Paulista e imenso painel da entrada da Avenida 23 de Maio. Este painel é tema do documentário Cidade Cinza, que retrata como obras de artistas renomados inclusive no exterior, como osgemeos e Nunca, são apagados sem critério por fiscais da prefeitura.

São Paulo tem se tornado mundialmente conhecida como capital do grafite, ainda que a prefeitura, o estado, os donos de muros de condomínio e os proprietários de parede insistam em apagar tudo.

Queremos que a cidade seja, de verdade, menos cinza, mais colorida, mais artística – e garantir que a arte de rua possa circular pelas paredes, com garantia do poder público de que não vai apagar nada.

A partir da aprovação do projeto de lei que apoiamos, a autorização JÁ ESTARÁ DADA para qualquer um que queira valorizar o patrimônio público com arte.

Veja, abaixo, a justificativa que foi escrita no projeto de lei do vereador Nabil Bonduki, e que apoiamos com forma de proteção ao grafite:

(veja neste link a íntegra do projeto de lei – http://www.blog.arteforadomuseu.com.br/?p=10)

Há tempos os grafiteiros, verdadeiros “artivistas culturais”, lutam para que sua arte seja reconhecida.

Para muitos o grafite é visto como arte democrática e humanizadora, pois os desenhos ficam expostos a todos, mudando a paisagem da cidade. Surgida nas ruas de São Paulo na década de 1970, essa forma de intervenção artística ganhou adeptos ao longo dos anos e tornou-se um movimento artístico de grande influência na capital paulista, chamando a atenção de todo o país.

Embora a cidade tenha, em seu calendário oficial, o dia 27 de março como o “dia do grafite” e seu território seja marcado por muitas intervenções artísticas dessa natureza, tanto em áreas centrais quanto nas periféricas— muitas vezes subsidiadas por recursos públicos— estamos longe de ter este assunto resolvido, ao menos no que diz respeito à relação entre artistas e poder público: muitas vezes a obra de arte é apagada sem nenhuma justificativa, deixando atônitos os grafiteiros, os cidadãos que admiram o trabalho e até mesmo seus patrocinadores. O resultado é o desperdício de material e de talento, além de uma grande frustração.

É papel do Estado garantir o acesso à cultura, como direito de cidadania. Para tanto, é necessário ter recursos orçamentários, estrutura e sensibilidade para captar as demandas existentes na sociedade e viabilizar ações correspondentes. Por isso, propomos que a arte do grafite seja reconhecida e que o executivo busque medidas que fortaleçam essa manifestação artística, seja por premiações, atividades de formação ou mesmo de financiamento.

O projeto de lei nº 840/2013, de autoria do vereador Nabil Bonduki, visa solucionar alguns dos problemas que marcam a rotina de quem faz arte na cidade, que muitas vezes gasta longos períodos em busca de uma autorização para, logo depois de realizada sua intervenção, vê-la apagada sem maiores explicações.  Com essa medida, que dá parâmetros para a realização de intervenções artísticas por meio do grafite,queremos contribuir para que nosso cotidiano fique mais alegre, colorido e humano.

Queremos que o projeto de lei seja aprovado pelos vereadores de São Paulo, e em seguida pelo prefeito, fazendo com que a cidade seja um exemplo para o mundo no incentivo à produção de arte no espaço público.

Mais informações sobre a iniciativa aqui: http://www.blog.arteforadomuseu.com.br/

https://www.change.org/pt-BR/peti%C3%A7%C3%B5es/grafite-%C3%A9-arte-pela-aprova%C3%A7%C3%A3o-do-projeto-de-lei-no-840-2013

Neurociência e aprendizagem

Com avanço tecnológico a Neurociência comprava o que muitos teóricos já discutiam sobre estímulos cognitivos. Ela pode afirmar o que antes era impossível, de um ponto de vista clínico. Hoje a neurociência veio para confirmar as teorias já formuladas por meio da pratica “praxis” pedagógica.

Certamente a neurociência tem muito a agregar, bem como confirmar teorias formuladas a partir da praxis pedagógica. Da mesma forma, creio que muitas teorias tidas como verdades absolutas na Psicologia da Educação tomarão novos rumos, bem mais pontuais e comprováveis, com o avanço desses estudos neurocientíficos.O indicado é que a Pedagogia, a Psicologia e a Neurociência possam fomentar projetos em parcerias, cujos resultados serão (e já têm sido!) um grande avanço no processo ensino-aprendizagem.

Simone Bastos

“O que hoje a Neurociência defende sobre o processo de aprendizagem se assemelha ao que os teóricos mostravam por diferentes caminhos”, diz a psicóloga Tania Beatriz Iwaszko Marques, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estudiosa de Piaget. O avanço das metodologias de pesquisa e da tecnologia permitiu que novos estudos se tornassem possíveis. “Até o século passado, apenas se intuía como o cérebro funcionava. Ganhamos precisão”, diz Lino de Macedo, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), também piagetiano. Mas é preciso refletir antes de levar as ideias neurocientíficas para a sala.

A Neurociência e a Psicologia Cognitiva se ocupam de entender a aprendizagem, mas têm diferentes focos. A primeira faz isso por meio de experimentos comportamentais e do uso de aparelhos como os de ressonância magnética e de tomografia, que permitem observar as alterações no cérebro durante o seu funcionamento. “A Psicologia, sem desconsiderar o papel do cérebro, foca os significados, se pautando em evidências indiretas para explicar como os indivíduos percebem, interpretam e utilizam o conhecimento adquirido”, explica Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e especialista em aprendizagem significativa, campo de estudo de Ausubel.

As duas áreas permitem entender de forma abrangente o desenvolvimento da criança. “Ela é um ser em que esses fatores são indissociáveis. Por isso, não pode ser vista por um único viés”, diz Claudia Lopes da Silva, psicóloga escolar da Secretaria de Educação de São Bernardo do Campo e estudiosa de Vygotsky.

Sabemos, por exemplo, com base em evidências neurocientíficas, que há uma correlação entre um ambiente rico e o aumento das sinapses (conexões entre as células cerebrais). Mas quem define o que é um meio estimulante para cada tipo de aprendizado? Quais devem ser as intervenções para intensificar o efeito do meio? Como o aluno irá reagir? “A Neurociência não fornece estratégias de ensino. Isso é trabalho da Pedagogia, por meio das didáticas”, diz Hamilton Haddad, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da USP. Como, então, o professor pode enriquecer o processo de ensino e aprendizagem usando as contribuições da Neurociência?

Para o educador português António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, responder à questão é o grande desafio do século 21. “A estrutura educacional de hoje foi criada no fim do século 19. É preciso fazer um esforço para trazer ao campo pedagógico as inovações e conclusões mais importantes dos últimos 20 anos na área da ciência e da sociedade”, diz.

Ao professor, cabe se alimentar das informações que surgem, buscando fontes seguras, e não acreditar em fórmulas para a sala de aula criadas sem embasamento científico. “A Neurociência mostra que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. O educador precisa potencializar essa interação por parte das crianças”, afirma Laurinda Ramalho de Almeida, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e especialista em Wallon.

Matéria  publicada na edição de junho/julho de 2012 da revista Nova Escola