Fatores Ambientais contribuem muito além da genética

Lendo essa matéria pude perceber que grande parte da responsabilidade das habilidades cognitivas e intelectuais do aluno são devido aos fatores ambientais e alimentares,  sendo assim, o DNA não é o único fator relevante, como muitos pensam.

“O fator ambiental induz uma mudança em mais de 50% naquilo que se acreditava estar relacionado de forma íntima á genética.”

Zan Mustacchi

Muitas vezes, o aluno sem limites pode ser erradamente diagnosticado como um estudante hiperativo. Para o médico geneticista e pediatra Zan Mustacchi, diretor clínico do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo (Cepec-SP) e presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), hoje, na grande maioria dos casos, há um erro de diagnóstico em relação a isso. E para piorar esse cenário, muitos educadores têm dificuldades em lidar com a situação. “Lamentavelmente, o professor deixou de ter autoridade, porque na hora em que começa a impor limite educacional ele é visto como o indivíduo que ultrapassa seus direitos”, explica Mustacchi, que também é responsável pelo Ambulatório de Genética do Hospital Infantil Darcy Vargas (HIDV), em São Paulo (SP). É sobre este e outros assuntos relacionados à genética que trata a entrevista a seguir.

 Qual a relação entre o DNA de uma pessoa e sua capacidade de adquirir conhecimento?

Zan Mustacchi: O que se sabe hoje é que existe uma expressão somatória entre a estrutura genética de uma determinada pessoa e fatores ambientais. Isso significa que o ambiente mais a genética se modelam, somam-se e determinam potenciais intelectuais. A última informação e a mais aceita hoje é a condição que nós chamamos de fatores epigenéticos, que são, de fato, a soma de ambiente mais a genética e determinam potenciais individuais, como da inteligência. O termo “epigenético” caracteriza uma somatória de fator genético e ambiental, então exclui a responsabilidade isolada da genética como determinante única das habilidades intelectuais, por exemplo. Antigamente, acreditava-se que a inteligência era nata, ou seja, era geneticamente definida, mas hoje se sabe que isso não é verdade; é a genética mais o ambiente.

 Fatores ambientais podem interferir no componente genético das pessoas?

Mustacchi: Eu não diria que “podem” interferir, eu diria que “interferem” com certeza. É bem diferente. O dado mais clássico é que fatores ambientais interferem mais que 50% na determinação de relações que haviam sido vinculadas com determinações genéticas. Sabe-se atualmente que as determinações não são mais exclusivamente genéticas, porque o fator ambiental induz uma mudança em mais de 50% naquilo que se acreditava estar relacionado de forma íntima à genética.

 Mas se isolarmos apenas a genética, qual o seu “peso” em relação à inteligência, por exemplo?

Mustacchi: A responsabilidade da genética [nesse caso] é menor que 50%, assim como quando eu falo de estatura, de obesidade e de habilidades de forma geral. Sabe-se que a genética tem uma responsabilidade menor que 50%. No caso da habilidade cognitiva, portanto, a responsabilidade é menor que 50%.

 Então, isso significa que a escola tem uma enorme responsabilidade para que o aluno aprenda?

Mustacchi: Com certeza, qualquer pessoa que seja bem estimulada de uma forma correta será favorecida; traduzindo, é exclusiva a responsabilidade do professor em fazer com que esse aluno se habilite.

O estímulo aos sentidos poderia promover uma alteração neurológica a ponto de aumentar a capacidade cognitiva do educando?

Mustacchi: Com certeza, desde que a infraestrutura que sustenta isso esteja adequada, e isso eu traduzo como aspectos nutricional e salutar. Então, se o indivíduo tiver uma boa saúde, envolvendo a condição nutricional adequada, o estímulo dos sentidos tenderá a favorecer a melhor capacitação cognitiva de qualquer aluno.

Mas às vezes a educação peca nesse aspecto? Os docentes poderiam ficar mais atentos ao estímulo dos sentidos durante o ensino-aprendizagem?

Mustacchi: Sim. O professor de inglês, por exemplo, no primeiro dia de aula, ensina “I am, You are, She is”. No fim da aula, ele faz uma prova: verbo “to be” (“eu sou, tu és, ele é”). Qual é o grande problema nisso aí? Esse garoto que está nessa escola – ainda em capacitação, em formação de habilidade linguística do português, da língua pátria, que ele não domina e que ainda está aprendendo a falar corretamente – tem um professor despreparado, que cobra a ele uma gramática de uma língua que ele nem sequer sabe falar. Seria a mesma coisa que você, quando for ensinar o seu filho a falar, dizer: “filho, eu sou, tu és, ele é”. Sabe quando ele vai aprender? Com grande dificuldade, vai demorar muito. Isto é o professor que não quer o aluno aprenda.

Então, como o professor deve proceder?

Mustacchi: Para que a gente possa aprender uma determinada língua é o mesmo modelo para que você aprenda uma língua: falando, cantando e brincando com aquele linguajar. Durante os primeiros três ou quatro anos de escolaridade, o aprendizado de uma segunda língua poderia se restringir a palavras usando modelos que agradam a criança – ela aprenderia, por exemplo, a cantar parabéns em inglês, a cantar músicas que estão tocando no rádio e a traduzir essas palavras.

Não importa o nível de ensino e a disciplina, é sempre importante utilizar atividades lúdicas que estimulem os sentidos?

Mustacchi: É preciso respeitar a habilidade e o limite individual de cada um. Eu vou traduzir: certamente você sabe muito bem como você melhor aprende, se é lendo, escrevendo, desenhando ou ouvindo. Como professor, eu tenho que descobrir como os meus alunos melhor aprendem – um desenhando, outro cantando, outro ouvindo, outro rabiscando e outro lendo. Cada um de nós tem um potencial diferenciado. Então, eu tenho que me preparar como pedagogo, como professor, a primeiramente saber que meu aluno, o indivíduo que eu vou preparar para a vida, tem várias formas de capacitação. E a chave fundamental é habilitar a criatividade do professor, induzir a sua caracterização como indivíduo criativo para poder facilitar a capacitação do seu aluno. Para o aluno cego, por exemplo, eu tenho que ser criativo. Como ensinar marrom para o cego? Fazendo associação com a terra – assim, em qualquer momento que ele tocar a terra ele vai dizer “marrom”. Eu não estou dizendo que é uma coisa fácil, mas é um momento de criatividade, em que o educador precisa criar oportunidades para melhor favorecer o indivíduo com alguma deficiência.

 E no caso do estudante com alguma deficiência intelectual, como síndrome de Down?

Mustacchi: Eu tenho aluno com síndrome de Down que aprende melhor com música, tenho aluno com síndrome de Down que aprende melhor com cores, com desenhos, e aluno que aprende muito melhor ouvindo ou fazendo. Então, progressivamente, eu vou escolher qual é a “porta de entrada dele”. Cada pessoa tem um modelo de capacitação, por isso é preciso respeitar o limite do modelo de capacitação de cada um.

 Em relação à aprendizagem, até onde o docente pode ir com esse aluno com síndrome de Down?

Mustacchi: Quem determina isso é o aluno, não o professor. Depende da habilidade do docente, infelizmente, porque o limite não existe. Na hora que você põe a palavra “até onde” você está impondo limite, e se você impuser limite é a mesma coisa que eu lhe disser “eu não vou te deixar aprender tal coisa porque você não aprende”. Se eu digo que você não aprende significa que eu não vou lhe dar nem sequer a oportunidade de aprender. Então você restringe. Até onde esse indivíduo vai? Até onde você deixá-lo ir, até onde você der oportunidade para ele chegar.

 As universidades precisam melhor preparar os futuros docentes para isso?

Mustacchi: O professor tem que ser habilitado no sentido de informação, de quebrar paradigmas de restrições didáticas. O que significa isso? Geralmente, o educador tem modelos didáticos predefinidos por ocasião da sua formação e capacitação, e esse modelo didático é restrito, não permite uma oportunidade de amplitude de modelos. Então o professor acha que a lousa é o material de trabalho dele; ele pega o giz, a lousa e começa a rabiscar. Está errado. O material de trabalho dele é o aluno, não é a lousa, e ele tem que saber utilizar todos os sentidos e até aqueles que a gente não conhece.

 O que é a Nutrigenômica?

Mustacchi: Ela representa um passo que deve mudar muito a condição nutricional da nossa população; é que tipo de alimento é próprio para você para determinada situação ser favorecida. Existem pessoas que têm uma alteração genética e não podem, por exemplo, comer fava – se comerem, elas têm uma baita anemia e uma icterícia, como se fosse uma hepatite grave. Esse indivíduo tem um comprometimento genético que faz com que aquele alimento gere um comprometimento clínico severo. Então, como é que nós vamos diferenciar quem responde a determinadas situações nutricionais e medicamentosas? Isso é Nutrigenômica, é o fator genético que envolve o fator ambiental para ter resultado.

 O senhor afirma que a Nutrigenômica evidenciará a importância da individualização e do respeito aos limites, propondo programas com ênfase na capacitação dos modelos educacionais. Fale sobre isso.

Mustacchi: Isso significa o seguinte: no momento em que eu tiver um domínio individualizado – saber que aquele indivíduo, em vez de comer arroz tem que comer mais batata, ou em vez de tomar vitamina C, tem que tomar vitamina B, ou em vez de a ele ser ensinado um “be-a-bá” na lousa, ele tem que escutar música – eu terei um resultado final muito mais satisfatório, mas eu preciso ter o domínio de como criar isso antes. Isso é um futuro muito próximo.

Profissão Mestre: Mas como a escola pode fazer isso? É preciso capacitar a equipe docente?

Mustacchi: Isso não é apenas papel do professor; é o educador mais a ciência. Nós não podemos trabalhar de uma forma isolada, não somos pedaços de pensamentos, temos que nos unir. A importância do docente é justamente que ele passa horas com esse indivíduo, em que ele percebe [o estudante] muito melhor que o médico, que passa poucos minutos com essa criança. Então, o educador tem que perceber, tem que ficar capacitado, tem que notar qual é a atitude desse aluno perante determinados outros educandos, perante determinadas atitudes e refeições.

 A nutrição tem um papel importante para o desempenho escolar do aluno?

Mustacchi: A importância nutricional é basal, é o primeiro plano. Primeiro é nutrição, depois é educação e saúde. Mas eu também não posso jamais separar o indivíduo, pois ele é uma estrutura como um todo, que depende da sua relação de lazer, da sua relação amorosa que tem em casa, do índice de quantas pessoas têm na família dele, se é primeiro, segundo ou terceiro filho, o que ele come, se toma café da manhã (e o que ele come no café), como é que ele toma banho, quem conversa com ele, se alguém lê alguma coisa para ele, qual é o programa de TV que assiste, quando vai para o computador e o que ele joga. O fator ambiental é fundamental.

 Existe o mito de que se comer muito açúcar e corantes a criança pode ficar hiperativa. Isso é verdade?

Mustacchi: Isso aí é uma mídia que quer modelar atitudes sociais. Essa mídia está vinculada com indústrias que acabam modelando atitudes nutricionais e medicamentosas. Existe também um modismo que confunde falta de limite com hiperatividade.

 Então não há uma comprovação científica sobre isso?

Mustacchi: Ainda não há de forma científica, clara e verdadeira [essa comprovação], mas o excesso de açúcar e corantes leva a algumas alterações, ou seja, sem dúvida há grupos que têm esse tipo de reações. Tudo o que você põe na boca pode ser veneno, pode te matar. Até água mata. Como? Afogado, dependendo da dose. Se eu fizer você tomar 40 copos de água, eu te mato afogada. Então, a diferença que existe entre uma dose razoável, satisfatória, e um veneno é a dose. O excesso de açúcar pode gerar uma série de problemas neurológicos, metabólicos e farmacológicos no próprio corpo, que dá desvios de atividade de insulina, atividade pancreática; então, você tem uma série de repercussões por isso.

 Muitos alunos são diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)?

Mustacchi: Perdoe-me, mas muito médico ainda não sabe fazer esse diagnóstico. É mais fácil dizer “esse garoto tem déficit de atenção e hiperatividade” do que dizer “não foi lhe imposto limite, a família não soube segurar isso”. Para suprir a sua falta de presença durante o dia, a família libera muita coisa à noite, então esse indivíduo acaba tendo distúrbio de comportamento. Com certeza, o diagnóstico de hiperatividade pediátrica hoje tem, na grande maioria dos casos, um erro de diagnóstico.

 E a escola precisa lidar com essa criança sem limites.

Mustacchi: Sim, por isso lhe digo que, lamentavelmente, o professor deixou de ter autoridade, porque na hora em que começa a impor limite educacional ele é visto como o indivíduo que ultrapassa seus direitos. Eu entendo que o professor ainda tem um grande papel de educador e para isso deveria ter uma liberdade de atuar. Ele pode fazer esse papel mesmo com as restrições que existem, mas prefere lavar as mãos e não se preocupar em como resolver esse problema. Ele pensa: “Já que eu não posso me preocupar com isso, então eu deixo esse indivíduo [caracterizado] com uma hiperatividade, um perturbador de ambiente, e não vou investir em tentar saber o que está fazendo com que essa criança tenha esse distúrbio de atitudes sociais. Então, eu lavo as minhas mãos e encaminho esse aluno para um psicólogo”. Ninguém procura ajudar essa criança, a preocupação é em como fazer com que ela fique quieta e não em como ajudá-la.

Entrevista publicada na edição de maio de 2012 da revista Gestão Educacional

Apoie a concretização do sonho dos nossos educandos

Educadores sem fronteiras

A Missão

Apoiar crianças e adolescentes em risco social, proporcionando o desenvolvimento das potencialidades do cidadão, através da educação complementar e da democratização do conhecimento.

 

Apoie a concretização do sonho de um de nossos educandos com uma doação. Todos os recursos arrecadados são utilizados para:

  1. Dar condições para que educandos carentes tenham acesso a uma educação de qualidade.
  2. Manter a estrutura necessária para que a organização produza resultados efetivos e promova transformações sociais

    Qualquer valor faz diferença, mas sugerimos R$ 10, R$ 20 ou R$ 50 para pessoas físicas e R$ 100, R$ 200 ou R$ 500 para pessoas jurídicas.

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A escola mais verde do mundo

Em Bali, na Indonésia, fica a Green School, que abriga 330 estudantes de 50 nacionalidades e tem um jeito diferente de ensinar


Você é uma criança. Mora ao lado da escola, em uma casa feita de bambu. De manhã, acorda com os passarinhos e caminha até o campus. Alguns passos e já enxerga a ponte, também de bambu, que a leva até o jardim; o verde das árvores, vistoso, toma conta dos olhos. Você faz um carinho no filhote de cabra, dá bom-dia aos outros animais, passa pela lagoa de aquicultura e segue o caminho de pedras até o campo de educação física, a primeira aula do dia.


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Terminados os exercícios, você caminha para a aula de música. Daqui a pouco tem recesso. Meia hora depois, chega o momento de ir para a sala de aula. Ela não tem paredes. Você se senta na cadeira e puxa a mesa, ambas de bambu, para continuar o dia de aprendizados. Olha para frente e enxerga o quadro branco feito a partir de para-brisa de carro. É hora de aprender bahasa, a língua local, seguida de matemática e inglês.

O tempo passa rápido e você nem nota que já está na hora de almoçar. Vai até a cantina e se delicia com os pratos – os vegetais são plantados ali atrás, na horta orgânica de que você ajuda a cuidar. Ainda pensa se quer experimentar se tornar vegetariano, vai discutir a questão com sua professora mais tarde. Ops, uma e quinze, corre para a aula de empreendedorismo. Ah, não se esqueça também de preparar o material para o projeto da comunidade ali perto, no qual você ajuda a plantar um campo de arroz.

No fim da tarde, seus colegas de escola se reúnem em uma grande poça de lama. E assim você termina o dia: correndo, brincando e se esbaldando na lama – sem se preocupar se sua mãe vai ficar brava com toda aquela sujeira. Ela parece gostar de ver você se divertindo.

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A história acima não é fruto da minha imaginação. Faz parte da rotina dos 330 estudantes de 50 nacionalidades e seis continentes da Green School*, localizada na cidade de Ubud, na ilha de Bali, Indonésia, em um terreno de 16 hectares no meio da floresta. Em 2012, foi considerada a escola mais verde do planeta – e não é à toa.

O foco da escola é a sustentabilidade, começando pela estrutura: os banheiros têm um sistema de compostagem; o bambu, material local, é largamente usado como matéria-prima; os alunos aprendem a cultivar o jardim orgânico e a cuidar dos animais. Até o momento, 80% da escola funciona com energia solar, com planos de atingir 100% em alguns meses, e a construção valoriza a luz natural – os raios do Sol entram por entre as frestas do bambu

ESCOLA ORGÂNICA
Idealizada em 2006 pelo casal John e Cynthia Hardy, a Green School começou a funcionar oficialmente em setembro de 2008, com 90 alunos. Ele canadense, ela americana, ambos se encantaram com as ideias do educador Alan Wagstaff, que já havia arquitetado uma learning neighborhood (“comunidade de aprendizado”, em português) no documento Three Springs.

Alan sonhava com uma vila onde a escola fosse o centro de atividades educacionais, sociais e comerciais. O foco recairia inteiramente sobre os estudantes, e quatro premissas fundamentais formariam a base educacional: capacidades físicas (o que ele chamou de kq), emocionais (eq), intelectuais (iq) e sinestésicas (sq). Ele também idealizou uma comunidade participativa, integrada e desenvolvida ao redor da escola – que seria também utilizada para festivais e eventos culturais.
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Com a Green School, a visão de Wagstaff se tornou realidade. O currículo é bem diferente, apesar de todos aprenderem as disciplinas acadêmicas básicas, como matemática, inglês e bahasa, a tal língua local. Há, por exemplo, aulas temáticas nas quais meninos e meninas são desafiados a desenvolver as capacidades citadas ao lado (físicas, emocionais, intelectuais e sinestésicas). E todos aprendem, ainda, metodologias de cooperação e são apresentados à teoria de inteligências múltiplas do pesquisadorHoward Gardner, renomado psicólogo de Harvard.

Por fim – e para atrelar a teoria à prática -, os estudantes, constantemente, analisam casos de empresas reais e são estimulados a se envolverem em projetos práticos na escola e na comunidade. Nas turmas do ensino médio, por exemplo, os estudantes têm a aula empresa verde, na qual são instigados a elaborar uma ideia para criar seu próprio empreendimento sustentável.

Além disso, a instituição é totalmente integrada à comunidade que a rodeia: tanto o café como o restaurante da escola são geridos pelos pais dos estudantes e o lucro, revertido para bolsas de estudo que possibilitam o engajamento de alunos locais, que constituem cerca de 10% do corpo estudantil. À medida que a primeira turma do colegial se prepara para entrar na universidade – a formatura ocorre em junho -, desenha-se a questão: será que uma educação diferente é capaz de formar cidadãos conscientes, preocupados com suas ações no mundo e em como mudá-lo para melhor? Que caminhos seguirão?

O educador Paulo Freire gostava de dizer que a escola deveria ensinar o aluno a “ler o mundo”, a “conhecer a realidade”, para então conseguir transformá-la. O que se vê na Green School é exatamente isso: um lugar sem paredes, que não delimita fronteiras e que ajuda seus alunos a despertarem o que têm de melhor.

*Green School
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Fonte:http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/a-escola-mais-verde-do-mundo-797929.shtml
Daiana Stolf é consultora em educação internacional e sonha com o dia em que toda escola será transformadora. Juliana Russo trabalha como ilustradora há dez anos e faz parte do projeto jornalístico Cidades para Pessoas.

7 hábitos de pessoas que têm consideração pelos outros

Tratar os outros com consideração fará você e seus filhos avançarem mais na vida que qualquer diploma universitário ou profissional.”  – Marian Wright Edelman 

Ativista americana renomada, Edelman não apenas dedicou sua vida à luta pelos direitos das crianças necessitadas como defendia a consideração em relação aos outros. Tratar as outras pessoas com consideração, uma das raízes dabondade pura, é algo que pode assumir muitas formas. Quer você elogie alguém pensando unicamente no bem-estar da outra pessoa, quer compartilhe o que possui sem esperar nada em troca, é um senso de civilidade que o leva a agir com consideração.

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Abdulla M. Abdulhalim, candidato a Ph.D. em pesquisas dos serviços de saúde farmacêuticos na Universidade de Maryland, teve uma bolsa da reitoria da universidade em 2012. Ao lado de seis outros estudantes selecionados para a bolsa ,ele examinou a questão da civilidade, de agir com consideração, por que as duas coisas são importantes e como a universidade pode ajudar a incentivá-las na sociedade como um todo.

“Gostamos de definições simples”, Abdulhalim disse ao Huffington Post. “A civilidade é na realidade um termo mais amplo, comparado à consideração. A civilidade significa simplesmente ser gentil e não é apenas uma atitude de benevolência, gentileza e relacionar-se com outros indivíduos. Ela também implica um interesse ativo no bem-estar das comunidades e até com a saúde do planeta. Para atuar com civilidade, é necessário fazer um esforço real. E agir com consideração faz parte desse esforço.”

Agir com consideração de modo passivo pode nascer de nossa natureza subconsciente, mais que de nossos atos intencionais. Mas isso não quer dizer que não possamos fazer um pequeno esforço para termos mais consideração com as pessoas e o mundo que nos cercam.

1. ELAS PRATICAM A EMPATIA
Seja gentil, porque cada homem trava uma batalha árdua.” –
Reverendo John Watson (também conhecido como Ian MacLaren)

Uma coisa é ter um senso de empatia e outra coisa é colocá-lo em ação. As pessoas que tratam os outros com consideração não apenas são capazes de colocar-se na posição do outro, como ativamente escolhem olhar para o mundo externo. Seu senso de compaixãopelos outros as leva a conectar-se com os outros, e essa troca altruísta lhes dá alegria e satisfação pessoal.

“Acho que quando alguém não age dessa maneira, seu comportamento parece realmente egoísta”, disse Abdulhalim. “Ninguém pode entender o ponto de vista do outro se não segurar a mão da outra pessoa e pensar como ela enxerga o mundo.”

2. ELAS SORRIEM COM FREQUÊNCIA
Acredite se quiser, quando você escolhe sorrir, isso tem um impacto importante sobre como os outros sentem você e sua presença, além de ter um impacto sobre seu próprio estado de humor. De acordo com Abdulhalim, o corpo usa 42 músculos pequenos para sorrir. Franzir o cenho é mais fácil. Faça o esforço de sorrir, pelo impacto positivo que isso tem sobre as pessoas que o cercam.

Abdulhalim sugere criar um lembrete para você mesmo. “Por exemplo, na entrada do meu prédio aqui há uma faixa grande que diz ‘civilidade, poder’. Podem ser frases diferentes para me lembrar de sorrir para um desconhecido, abrir a porta para alguém que não conheço ou deixar a pessoa entrar no elevador antes de mim. Também ajuda treinar sozinho. Se você se olhar no espelho, fechando a cara ou sorrindo, verá que a diferença é enorme. As pessoas não sabem a aparência que têm quando fazem cara feia ou abrem um sorriso simpático.”

3. ELAS INTUEM AS NECESSIDADES DOS OUTROS
Quando você se sintonizar com seu senso de empatia e levar em conta o que sentem as pessoas que o cercam, opte por agir com base nisso. Simplesmente perguntar a uma pessoa como ela está pode fazer maravilhas pelo estado de ânimo e a autoestima da pessoa.

“Quando você entra no elevador e tem dez segundos para causar uma boa impressão ou simplesmente ficar quieto, olhando seu celular, pode simplesmente perguntar ‘como está sendo seu dia?’, só para ser simpático. Isso é ter consideração”, disse Abdulhalim. “Vamos falar a verdade, você quer mesmo saber como está sendo o dia da pessoa? Isso vai fazer alguma diferença para sua vida? Especialmente se você não conhece a pessoa. Você só faz a pergunta porque quer fazer a pessoa que está à sua frente sentir-se valorizada. E é essa finalidade de ter consideração nessa situação: não é o conteúdo da resposta, é a intenção.”

4. ELA TEM BONS MODOS
A boa educação significa ter consciência sensível dos sentimentos dos outros. Se você tem essa consciência, você tem bons modos, não importa qual garfo use.”  –
Emily Post, especialista em etiqueta.

Ter bons modos não se limita a dizer “por favor”, “obrigado” e “não há de que”. A boa educação requer que você reconheça os sentimentos da outra pessoa e aja de acordo. Siga a regra de ouro e trate os outros como gostaria que o tratassem. Por exemplo, sendo pontual (respeitando o tempo do outro), não falando mais alto que os outros (exercitando o autocontrole) e ouvindo ativamente o que os outros têm a dizer.

“Não é possível ter consideração se você não ouve realmente”, disse Abdulhalim. “É preciso realmente prestar atenção, captar informações e até repeti-las para você mesmo, para então dar um retorno baseado na lógica real. Ouça, processe e então aja segundo a lógica, transmitindo essa lógica pela empatia. Então a resposta deve aparecer com lógica, mas com cortesia.”

5. ELAS PRIORIZAM OS OUTROS… ÀS VEZES
Aquele que não trata a si mesmo com consideração raramente o faz com outros.” –
David Seabury

O altruísmo pode ser uma faca de dois gumes para quem tem consideração. Priorizar as necessidades dos outros deixa as pessoas felizes e gera um sentimento de realização para nós, mas frequentemente perdemos a capacidade de cuidar de nós mesmos primeiro, quando é preciso, e de dizer “não”. Mas encontrar um ponto de equilíbrio é tão importante quanto agir com consideração – se não, podemos cair na armadilha de apenas tentar agradar aos outros, o que leva a uma queda em nossa própria produtividade, segundo Abdulhalim.

“É difícil”, ele explicou. “Mas praticar o ‘não’ em situações menores o ajudará a dizer ‘não’ em situações mais importantes. É importante praticar. O ideal é saber quando ter consideração com os outros e quando ter consideração com você mesmo.”

6. ELAS SÃO PACIENTES, MESMO QUANDO NÃO ESTÃO COM VONTADE
A paciência está longe de ser uma caraterística passiva. Ela pode ser difícil de praticar, especialmente quando estamos estressados, sobrecarregados e cercados de impaciência por todos os lados. Mas isso é ainda mais uma razão para nos motivar.

“Muitas pessoas que conheci que são muito gentis e atenciosas diziam ‘por que eu devo tratar os outros com atenção quando 95% do tempo eu termino em último lugar?’” Abdulhalim comentou. “Concordo com a lógica, mas você nunca perde por tratar os outros com consideração. Depende de como você encara o problema. Digamos que você é cortês com alguém e a pessoa não reage na mesma moeda. Por que não usar isso como motivação para dar um exemplo, mostrando como a civilidade é realmente importante para todos? É uma questão de ser uma influência positiva. Se você exerce influência positiva, tem a motivação para ser melhor e influenciar os outros de maneira positiva.”

7. ELAS PEDEM DESCULPAS, MAS APENAS QUANDO HÁ RAZÃO PARA ISSO
Algumas pessoas pedem desculpas a toda hora, por medo de ofender aos outros a cada passo. Outras nunca o fazem, transmitindo uma impressão de serem grosseiras e insensíveis. Como é o caso do esforço das pessoas gentis para agradar às pessoas, os pedidos de desculpas devem ser equilibrados.

“’Perdão’ ou ‘sinto muito’ quer dizer que você lamenta um ato que cometeu”, diz Abdulhalim. “Ser gentil implica pedir desculpas quando você errou e quando você pensa que errou. Mas, se você tenta agradar a todos ou pede desculpas demais, só vai prejudicar a si mesmo. As pessoas que tentam agradar a todos geralmente são menos produtivas, porque, mesmo que não tenham tempo, procuram encontrar tempo para ajudar ao outro. Então aquele outro sabe que você está sempre disponível para ele e volta a procurá-lo sempre.”