Meditação para crianças

Uma proposta que ajudará as crianças a controlarem suas emoções de uma forma sabia e consciente!

Vamos fazer uma aula de meditação para as crianças?

POR QUÊ?

Meditar é uma das maiores artes da vida, talvez a maior de todas!

Meditar é muito mais que focar a atenção em algo concreto, em um pensamento, na respiração ou no próprio corpo. Meditação é a compreensão da totalidade da vida, na qual não existe mais nenhuma espécie de fragmentação.

Ensinar as crianças a prestarem a atenção em um objeto, na sua respiração, nos movimentos do corpo, é um simples exercício, e não podemos dizer que isso é meditação de fato! Esses ” exercícios” ajuda a criança a focar sua atenção, propiciando calma, concentração e autocontrole de suas emoções… Para que futuramente, ela por si só, descubra o que é meditar. Ter uma mente livre e consciente.

Meditação não é o controle do pensamento, porque, quando o pensamento é controlado, gera conflito na mente, mas, quando se compreende a estrutura e a origem do pensamento, o pensamento então não mais interfere. Essa compreensão da estrutura do pensar é a sua própria disciplina, que é meditação.

Meditação é estar cônscio de cada pensamento de cada sentimento, nunca dizer que ele é certo ou errado, porém simplesmente observar e acompanhar seu movimento. Nessa vigilância, compreender o movimento total do pensamento e do sentimento.

KRISHNAMURTI

Para que serve a meditação para as crianças


 

Ajudar a compreender seus pensamentos e sentimentos, uma ferramenta de autoconhecimento. Meditar é uma das maiores artes da vida. E estimular a criança a essa prática é fundamental, se queremos ver crianças, felizes e conscientes.

“Quando aplicada corretamente, a meditação ensina a criança a ter autocontrole”, diz a psicóloga norte americana Deborah Rozman, autora de Meditação para Crianças. Segundo ela, estudos comprovaram que a meditação ajuda pequenos muito inquietos a controlar o temperamento.

Achei na internet uma lista de benefícios da meditação, escritas por Patricia Diaz:

1. Será mais responsável, tanto das suas coisas materiais como das suas emoções, da sua vida e da sua felicidade.

2. Gostará mais de si mesmo.

3. Poderá se concentrar melhor ao ser capaz de focar sua atenção no que deseja, sem cair em distrações.

4. Terá menos ansiedade e menos estresse.

5. Dormirá melhor.

6. Será menos impulsivo.

7. Terá mais autoestima, e mais segurança em si mesmo.

8. Melhorará o seu rendimento acadêmico.

9. Melhorará o controle das suas emoções.

10. Melhorará suas relações sociais. Mostrará mais empatia e gratidão.

11. Melhorará o seu sistema imunológico.

12. Será menos violento.


Atividade- Exercício de Respiração

Faixa etária: A partir de 6 anos.

Os objetivos são diversos, porém o principal é o autoconhecimento.

Proposta



 image1 (1)

Em um ambiente arejado, limpo e  aconchegante, com os pés descalços e livres, formar um círculo com as crianças e explicar a elas sobre a meditação, necessário que o educador já tenha praticado alguns exercícios, ou seja simpatizante dessa prática. Após a explicação, deixem que eles busquem a melhor posição para relaxar e prestar a sua total atenção na respiração. Agora você direciona as técnicas de respiração ao grupo. Temos essa dica de atividade:

“Em Los Angeles, nos Estados Unidos, existe uma fundação chamada Inner Kids. Uma das atividades desenvolvidas por eles é uma prática de relaxamento com atenção na respiração em que as crianças ficam deitadas com um ursinho de pelúcia sobre a barriga. Isso ajuda a treinar a atenção para a respiração abdominal. Como o foco é o movimento do ursinho sobre a barriga, as crianças tendem a se manter ligadas na prática”

image2 (1).jpeg

 

 

 

 

Contação de história interativa com o livro: Bugigangas

Este livro mostra às crianças o sentido quantitativo dos números e o tema da reciclagem. Através de ilustrações feitas com objetos velhos presentes em nosso dia-a-dia, as crianças aprendem a relacionar números e quantidades. Além de ser uma oportunidade de conscientizar as crianças sobre o papel importante da reciclagem nos tempos atuais.

Por que não trazer para o concreto as ilustrações do livro e propor  as crianças um desafio?

Foi isso que eu fiz …

Para enriquecer ainda mais o contexto lúdico, pedi as crianças para buscarem em uma mesa os objetos que estavam nas ilustrações. Montei uma mesa com todos os objetos citados pelo livro. Durante a leitura elas (crianças) apanhavam o objeto para que no final montássemos juntos um lindo painel, confira o resultado! (fotos).

Se nós educadores valorizarmos o potencial estético apresentado pelas sucatas  (lixo reciclável) na construção de composições escolares, podemos alcançar resultados importantes na formação social, intelectual e moral de nossos alunos, pois estaremos trabalhando e praticando a sustentabilidade.

bugigangas

bugi 1

bugi2

Entrevista com Claudio Naranjo: professor deve se dedicar ao desenvolvimento humano, não à incorporação de conhecimentos

Levar educadores ao desenvolvimento de competências humanas para modificar práticas educacionais no mundo é parte do trabalho do psiquiatra indicado ao Nobel da Paz em 2015

 

i485977

Apesar da postura serena, olhar amistoso e voz tranquila, o médico psiquiatra de origem chilena Cláudio Naranjo, 83, é veemente ao falar. “A educação não educa. É uma fraude. Não se deve confundir instrução com educação”, diz, apontando na política pública parte da origem de suas constatações. “É como se o objetivo dos governos fosse manter as pessoas amortecidas.”

Indicado ao Prêmio Nobel da Paz deste ano, Naranjo dedica parte de seu trabalho, há 15 anos, à transformação dos processos de ensino e aprendizagem a partir do reconhecimento de si e do outro. Acredita ser esse um dos principais desafios do milênio. No universo da psicoterapia, é reconhecido como um dos mais significativos profissionais em atuação da atualidade. Há mais de 40 anos em atividade e com diversos livros publicados, Naranjo fundamentou linhas psicológicas, integrou a sabedoria oriental aos processos científicos ocidentais de estudo do comportamento humano, e fundou uma abordagem de desenvolvimento denominada SAT (sigla em inglês para Seekers After Truth), um programa holístico

constituído por práticas da psicoterapia moderna, concepções espirituais, meditação, terapias corporais e de gestalt. Com a SAT, tem rodado o mundo todo fazendo palestras para gestores educacionais. No Brasil, em maio, para lançar seu mais recente livro, A revolução que esperávamos (Verbena Editora), também palestrou para pais e professores. Em sua mais nova obra, o psiquiatra afirma que a crise atual só pode ser superada por uma mudança profunda no modelo educacional – evoluindo da transmissão de conhecimento para a formação de competências existenciais. De São Paulo, de onde concedeu a entrevista a seguir para Educação, Naranjo seguiu para a Câmara dos Deputados, em Brasília, para proferir a palestra “A cura pela educação – uma proposta para uma sociedade enferma”.

O que motivou o senhor a desenvolver trabalhos no setor educacional?
No início dos anos 2000 me convidaram para um congresso de educação na Argentina. O evento reuniu mais de dois mil educadores e, pela primeira vez, tive um contato tão direto com o setor. No decorrer de minha palestra, sentia cada vez mais viva a resposta daquelas pessoas. Foi como uma ressonância empática ao que eu falava. Compreendi naquele momento a ‘sede’ dos educadores e a importância de levar a eles meu trabalho de formação, desenvolvido junto aos terapeutas.

Qual seria o diferencial do seu trabalho para os educadores?
Na ocasião desse congresso foram abordados muitos temas relacionados à inteligência emocional, houve a exposição de diversas visões. Apesar disso, senti meu trabalho como algo mais transformador e, ao mesmo tempo, desconhecido da plateia. Contudo, se passassem a conhecê-lo, o trabalho teria um valor social mais abrangente. Tive a certeza de que haveria um efeito multiplicador. Afinal, os professores permeiam a formação das sociedades. Todos passamos por escolas.

Como o senhor define a proposta do seu trabalho?
Eu proponho a junção de conhecimentos e técnicas terapêuticas, como a meditação budista, a psicologia dos eneatipos, o teatro terapêutico, o teatro oriental do autoconhecimento, o movimento espontâneo e o processo terapêutico supervisionado em que as pessoas se ajudam. Isso constitui um currículo interno básico, oferecido no programa SAT. Esse programa foi originalmente constituído na Califórnia, no início dos anos de 1970, e trazido ao Brasil por Alaor Passos, há mais de 20 anos. É um trabalho avançado de autoconhecimento dirigido à transcendência da personalidade, ao desenvolvimento do amor, à melhora da qualidade de vida e da capacidade de ajuda psicoespiritual. Qualquer pessoa pode participar dele. E cada vez mais, eu trabalho para os educadores envolverem-se nesse processo.
 
Qual tem sido o resultado dessas práticas junto aos professores?
A proposta é estabelecer o desenvolvimento de competências existenciais, não técnicas. Eu as classifico como amor ao próximo (empático); amor aos ideais (devocional); amor a si (desejos); a consciência do presente; o autoconhecimento (quem sou) e o desapego. Essas competências têm sido negligenciadas ao longo dos anos. Percebo que os professores difundem, entre si, os resultados encontrados a partir de suas experiências, de sua transformação. A formação permite a eles que sejam mais completos como pessoas, consequentemente, melhores profissionais. Eles se tornam mais felizes. Lembro, ainda, que essa iniciativa pode chegar àqueles professores constantemente oprimidos pelo sistema, sem condições financeiras adequadas, sem energia. Atingi-los, contudo, não é uma condição simples. Para essas situações as autoridades governamentais e educacionais precisam dar uma resposta.

Como essas ‘competências’ qualificam o educador para o seu trabalho cotidiano?
Para ser um bom educador, ou ser bom profissionalmente em qualquer área, é preciso ser uma boa pessoa. É preciso se relacionar com o outro como pessoa, ser um modelo de pessoa, e não apenas um modelo de saber.

O que o senhor quer dizer com “modelo de pessoa”?
A educação destina-se ao desenvolvimento humano, não à incorporação de conhecimentos. Para quê passar anos oferecendo ao jovem o conhecimento do mundo exterior quando já o encontramos no Google? De que serve essa prática? Isso é um roubo da vida do jovem. Isso serve para quê? Para  passar anos somente para aprender a se sentar quieto? Para treinar a obediência? Nesse contexto, o educador tem imposta uma vestimenta interna de atitude, de respeito à autoridade educacional. Isso dificulta que ele tenha uma voz transformadora.

Que modelo de educação teria esse caráter transformador?
Quando feita para o desenvolvimento humano, a educação nos leva a ser o que somos em potência, ou seja, seres completos. Mas somos como árvores retorcidas que não têm sol por um lado, e esticam seus galhos para conseguir água. Temos uma vida muito raquítica.

Quais as causas dessa situação?
Hoje se governa para a inconsciência. Como se o objetivo da educação fosse manter as pessoas adormecidas, robóticas, obedientes à força do trabalho construída com a Era Industrial, o que continua sendo a motivação opressiva da educação. Não sei, porém, dizer se essa circunstância é uma vontade. Talvez haja indivíduos querendo modificar isso, mas a inércia burocrática é grande demais.

Como se vê nesse contexto?
Como um indivíduo fora do sistema, insultando-o ao dizer: a educação é uma fraude. A educação não educa. Não se deve confundir instrução com educação. Esse modelo fracassou. Minha convicção é que se deve mudar a consciência e para isso é preciso mudar a educação. Apelo à Organização Mundial do Comércio (OMC) como uma instância com poder para fazer parte dessas modificações.

Qual o papel da OMC nessa mudança educacional?
Eles incentivam a globalização dos negócios, mas não favorecem a globalização da ecologia, da educação, entre outros aspectos que deveriam, também, se globalizar. Eles são responsáveis por uma desumanização no mundo. Fala-se muito da pobreza e, sim, é certa a existência de muita pobreza externamente. Mas nossa pobreza interna não é tão visível, tão óbvia. A pobreza gera voracidade, pois estamos incompletos. Somos como zumbis devoradores, transformando os outros em zumbis por contágio. Isso nos torna uma sociedade inconsciente e voraz. O problema do mundo é a voracidade, do poder de ter dinheiro. Da primazia dos bens por cima do bem. Isso só pode ser resolvido se formos seres completos. Temos uma sociedade violenta.

Como incentivar educadores a fazer parte desse trabalho?
É preciso incentivo das autoridades, de governos ou da direção das escolas. Já temos algumas experiências exitosas na Espanha e Itália junto aos professores. Obtivemos, também, resultados positivos no México e Uruguai. Mas o papel da direção das instituições, públicas ou privadas, é importantíssimo para o engajamento dos docentes. Principalmente daqueles mais desmotivados por sua condição de trabalho.

Como engajar autoridades governamentais e educacionais?
Sempre estou disposto a convidar a todos para conhecer essa proposta educacional. Quero en­corajar as autoridades sobre o valor desse processo. Me coloco como um facilitador desse programa que acontece por meio das atividades da Escola SAT, que está aberta a todos, educadores ou não, oferecendo um programa de humanização.

O senhor defende conceitos de pedagogia do amor. O que é isso?
Basicamente, que para a existência de uma pedagogia do amor se requer amar ao próximo como a si mesmo, um preceito do cristianismo. As pessoas não se dão conta de que não se pode amar aos outros sem amar a si. Tampouco se dão conta de que também têm a capacidade de odiar a si mesmas, ao se tratarem como escravas, se explorarem, desvalorizarem. As pessoas têm uma mente como Freud descrevia, como que dividida entre um perseguidor e um perseguido.

Crianças no comando

Instituições democráticas têm o desafio de formar estudantes autônomos e cooperativos. Conheça algumas escolas onde este conceito já está funcionando.

crianças no comado

Às 8h30 de uma manhã nublada, as crianças da turma da Educação Infantil entraram no ônibus escolar para fazer uma visita. Não era para um parque ou museu da cidade de Santo Antônio do Pinhal, a 179 quilômetros de São Paulo. Os pequenos de 3 a 5 anos da Escola Municipal Antônio José Ramos foram ao gabinete do prefeito levar suas reivindicações. Depois de tomar um café da manhã com pão de queijo e iogurte, expuseram as demandas e opiniões:

– O parquinho está velho e os colchonetes também – disse Rafael, 5 anos.

– Eu gosto muito da comida que a dona Fátima faz – falou outra criança, referindo-se a uma das merendeiras da instituição.

Os assuntos levados à conversa foram previamente discutidos com as educadoras Daniela Barbosa e Aurora Chiaradia em classe. O gestor da cidade anotou as demandas para, posteriormente, avaliá-las junto com a equipe da Secretaria Municipal de Educação e dar um retorno à turminha.

O episódio, que pode parecer inusitado na maioria das escolas, é comum em instituições que adotam os princípios da Educação democrática: horizontalidade das relações, centralidade nos interesses dos alunos e gestão participativa.

No livro República de Crianças – Sobre Experiências Escolares de Resistência (Ed. Mercado), a socióloga Helena Singer conta que o surgimento dessa proposta está ligado ao movimento Escola Nova, nascido na segunda metade do século 19 e marcado pela crítica ao ensino tradicional.

O escritor russo Leon Tolstói (1828-1910), precursor dessa maneira distinta de pensar o ensino, se inspirou nas obras de Karl Marx (1818-1883) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) para fundar a escola Iasnaia Poliana, localizada na cidade russa de mesmo nome. A instituição foi planejada com o objetivo de criar um ambiente deliberdade para as crianças, totalmente contrário ao das instituições autoritárias. Em vez de uma estrutura fixa e hierárquica, a proposta de Tolstói contava com classes multisseriadas, rotina flexível, diferentes ambientes de aprendizagem e regras construídas coletivamente.

Na época, o modelo não ganhou escala, fato que só veio a ocorrer em meados do século 20, com a criação de algumas das instituições democráticas mais conhecidas no mundo: Summerhill, na Inglaterra, e a Escola da Ponte, em Portugal.

Influenciada pela iniciativa portuguesa, a Escola Municipal Antônio José Ramos, que abre esta reportagem, adotou princípios democráticos em 2005, depois de uma parceria entre a prefeitura de Santo Antônio do Pinhal e a Fundação Ralston-Semler, voltada à disseminação desses valores na rede pública. Entre as mudanças que passaram a fazer parte da rotina da escola está a adoção de uma nova organização dos alunos. Em vez de um sistema seriado, a instituição passou a agrupar as crianças de acordo com a faixa etária: de 3 a 5 anos (equivalente à pré-escola), 6 e 7 anos (que seriam como o 1º e 2º anos do Fundamental) e de 8 a 10 anos (como 3º, 4º e 5º anos).

Outro ponto importante foi a revisão na forma de planejar as atividades. As educadoras passaram a ser chamadas de tutoras e a se responsabilizar pelo trabalho com os conteúdos curriculares, organizados em projetos e atividades definidos com a participação dos alunos. A possibilidade de as crianças gerenciarem a própria aprendizagem é uma característica indispensável numa escola democrática.

“O princípio mais básico desse modelo é a participação dos estudantes na tomada de decisões sobre diversos temas”, explica Mariana Wrege, doutoranda em Psicologia Educacional na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

É claro que existem conteúdos que não são negociáveis, como leitura, escrita e matemática, mas o estudante, com o apoio de um professor tutor, pode debater a escolha das atividades. “A rede possui uma matriz de competências e habilidades definida de acordo com cada faixa etária e que não pode ser perdida de vista. Cabe às tutoras definir quais aprendizagens estarão em jogo em cada proposta e como articulá-las”, diz Sonia Ferreira, coordenadora pedagógica geral da Secretaria Municipal de Educação.

Uma vez escolhidos os temas dos projetos com a garotada, as educadoras dividem a tarefa de ensinar alguns conteúdos com os chamados “mestres”, profissionais que não têm, necessariamente, formação em Educação, mas trazem conhecimentos ou habilidades específicos e são contratados pela secretaria para algumas aulas. As crianças da turma de 3 a 5 anos, por exemplo, tinham escolhido, com as tutoras, atividades musicais e receberam a visita do músico Daniel Moray Luza para um recital de violão.

INTERESSES DOS ALUNOS EM PRIMEIRO LUGAR
O trabalho com propostas escolhidas pelos estudantes também é uma realidade no CIEJA Campo Limpo, em São Paulo. A instituição, que atende jovens e adultos de 15 a 92 anos no Ensino Fundamental, incentiva que eles tenham ideias de melhoria da região em que vivem e faz dessas propostas atividades de sala. A ideia de envolver a comunidade está alinhada aos princípios democráticos e é defendida pela escola como um valor importante. “Não adianta permanecer como uma ilha num contexto autoritário. Ser democrática significa chamar a comunidade para participar da escola porque os problemas do entorno também são dela”, explica Helena.

Todo semestre, os alunos escrevem um projeto de intervenção no bairro. “Já foram feitas ações em um orfanato, em casas de apoio ao câncer e uma campanha de conscientização dos direitos das pessoas com deficiência. A próxima proposta é construir uma horta comunitária de temperos e chás numa rotatória que serve como depósito de lixo”, conta a diretora Eda Luiz. “Nossa ideia é unir forças com a comunidade para que todos os moradores das redondezas possam cuidar da horta e colher a produção”, comenta.

A professora Amanda Lima, de Ciências, explica que, para realizar a intervenção, é necessário trabalhar em sala conteúdos relacionados ao tema do projeto. No caso da construção da horta, por exemplo, os jovens e adultos estudaram a terra e o adubo orgânico. Além disso, montaram um sistema de calhas nos telhados da escola para captar água da chuva. O líquido será usado para regar a plantação. Essas ações envolvem conhecimentos específicos das áreas de física, química e biologia, por exemplo.

Apesar de estar diretamente conectada com a comunidade e encorajar as iniciativas dos próprios alunos, a escola enfrenta desafios e críticas vindos de dentro e de fora da instituição. “Ainda existe um modelo de ensino no imaginário das pessoas, com quadro, giz e livro didático. A todo o momento, temos que conversar com nossos alunos sobre a proposta, mas já ouvi muitas vezes que é o professor quem deve dar aula, não o estudante quem tem de falar”, diz Eda.

A mesma divergência acontece nas escolas democráticas que atendem crianças. “Os pais não conseguem avaliar uma instituição como essa porque não têm parâmetro para dizer se o filho está indo bem ou mal. Onde eles estudaram na infância, se tiravam nota alta, estavam bem, se era baixa, estavam mal”, diz Helena. Os professores também têm de encarar transformações. Nesse modelo, é preciso reconceitualizar o que quer dizer “dar aula”. “É uma cultura profissional em que ele tem que se reinventar”, complementa.

Garantir a aprendizagem nesse contexto não é fácil e exige uma reflexão constante da equipe docente, com o apoio da coordenação pedagógica, para garantir que se consiga, ao mesmo tempo, respeitar os percursos pessoais de aprendizagem traçados pelas crianças e garantir a aquisição de conteúdos.

MAIS TEMPO NA ESCOLA
Para dar conta desse desafio, algumas instituições optam pela ampliação do turno escolar, ofertando aos alunos um número maior de atividades, como fez Escola Municipal Sebastiana Luiza de Oliveira Prado, em Ubatuba, a 237 quilômetros de São Paulo. A escola segue o modelo democrático desde 2010, quando Néia Correia – que foi diretora até 2014 – convocou toda a comunidade para discutir a alta evasão e a violência na região. “Desenhamos um novo modelo para atender aos anseios de estudantes e familiares”, relata ela.

As primeiras mudanças foram aumentar o tempo de permanência das crianças, que passou a ser das 7h30 às 15h30, construir outros espaços de aprendizagem e flexibilizar o currículo de acordo com as vontades dos alunos. “Como é uma escola pública, precisamos seguir certos padrões, como as diretrizes curriculares. No entanto, nossos estudantes desenvolvem projetos com autonomia, acompanhados pelo professor da sala”, explica Néia.

A adoção desse modelo na rede pública brasileira é aceita desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, que deu autonomia de proposta curricular às instituições de ensino, possibilitando que se organizassem da maneira que melhor atendesse à comunidade.

A escola optou por manter a divisão por séries, mas reviu o planejamento para que o interesse das crianças também tivesse vez. A turma do 4º ano, por exemplo, viu a chegada de um novo computador à sala de informática como uma oportunidade para desenvolver um jornal estudantil. “Pegamos o nosso caderno e começamos a entrevistar as pessoas. Uma vez, fomos ao posto de saúde do bairro para tirar dúvidas sobre diabetes”, relata a aluna Adriana, 9 anos. Entrevistas, pesquisas e até questões discutidas nas assembleias se transformam em textos, ilustrações e gráficos disponíveis para quem quer ler.

O gerenciamento do projeto fica sob a responsabilidade da professora da turma, Naiara Pereira de Sousa. “Enquanto os alunos se preocupam com o objetivo de divulgar informações, eu foco nos conteúdos que posso ensinar durante o trabalho”, diz. Com o desenvolvimento do jornal, a docente trabalhou alguns conhecimentos das disciplinas de língua portuguesa, matemática e história.

“Nesse modelo de escola, diversos aspectos da aprendizagem que não são ressaltados e instituições tradicionais são valorizados. Os alunos aprendem estratégias de planejamento de ações para realizar uma atividade e conseguem prever o percurso que precisarão percorrer para atingir um objetivo”, explica Helena.

Dessa forma, o estudante se torna menos passivo e mais autônomo, com habilidade de saber estudar, pesquisar e propor assuntos que se tornam objetos de pesquisa.

AS INSTÂNCIAS COLETIVAS DE DISCUSSÃO

A liberdade de propor temas e projetos, no entanto, é apenas um dos princípios das escolas democráticas. Outro atributo bastante importante é a participação de toda a comunidade na definição do regulamento da instituição. “O propósito de uma regra é fazer com que os trabalhos se organizem bem e que se crie um espaço de boa convivência. Portanto, ela só faz sentido se transformar o ambiente em algo melhor”, explica Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp e colunista de Nova Escola. A proposta de incluir os alunos na discussão sobre valores e regulações que regem cada escola está prevista no Brasil desde os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicados em 1997. Neles fica clara a visão da educação como o espaço em que se proporcionam o respeito às diferenças e o convívio democrático.

O lugar primordial para esse diálogo é a assembleia, na qual alunos, professores, gestores e funcionários debatem, geralmente por representatividade direta, a regulamentação das relações interpessoais e a convivência no âmbito dos espaços coletivos. Na Escola Municipal Antônio José Ramos, esse momento é institucionalizado e acontece semanalmente, com uma hora no final do dia destinada à discussão. No início de cada sessão, uma das tutoras explica o funcionamento da atividade: o grupo levantará as pautas a ser discutidas e alguém se responsabilizará por anotá-las. Quem quiser falar deve levantar a mão e esperar sua vez. As questões são debatidas por todos até se chegar a uma solução consensual.

Para Telma, a discussão em si é mais importante do que a própria resolução final da questão. “É no processo que se identificam os problemas e se trocam perspectivas. A intervenção do professor é para incentivar a cooperação e a troca, discutindo o que está acontecendo e por quê. Dessa forma, as crianças aprendem a pensar na causa e percebem que um desrespeito à regra criada é um desrespeito a todo o grupo que a elaborou”, explica a pesquisadora. A decisão é a consequência do processo. “A assembleia é, portanto, legislativa, não é judiciária”, diz.

Nem todos os assuntos ligados à escola, no entanto, devem se tornar pauta para esse fórum. Problemas de âmbito privado, princípios norteadores da instituição e questões que não são de responsabilidade dos alunos ficam de fora. “Para as questões particulares, há os ciclos restaurativos. Aquilo que é individual não pode ter exposição pública”, defende Telma. Existem também certas regras que são inegociáveis, como a necessidade de uma boa alimentação e a proibição de bater nos colegas. “Podemos discutir sobre esses tópicos, mas sempre pensando que existe um princípio por trás dessas regras, como a boa saúde e o respeito ao outro”, explica Mariana.

Outros assuntos, como orçamento e desligamento de membros da equipe escolar, não cabem ao escopo dos alunos. “Eles devem se envolver nas discussões de acordo com sua capacidade de decidir. Não adianta participar da decisão alguém que não vai assumir a responsabilidade”, diz Helena. Fazer o balanceamento desses interesses e garantir uma escola ao mesmo tempo democrática e onde todos aprendem ainda é um desafio.

Fonte: Planeta Sustentável Maio -2015

As escolas mais legais do mundo

Instituições de ensino tão divertidas que acabam com qualquer desculpa para matar aula e ensinam aos alunos importantes conceitos sobre sustentabilidade

O mundo mudou e os estudantes também. A nova geração de crianças e jovens nasceu na era digital e precisa de uma sala de aula adaptada para um estilo de aprendizado diferente. Confira abaixo alguns países que já se deram conta disso!

APERTA, QUE CABE
Nome: Container Classroom
Onde: Cape Town, África do Sul
No Brasil, transformar contêineres em salas de aula práticas e baratas não deu muito certo. Mas, na África do Sul, o projeto foi melhorado e traz tudo que é necessário para o aprendizado, inclusive horta e playground (veja imagem que abre esta reportagem).

À PROVA D’ÁGUA

Nome: Makoko Floating School
Onde: Lagos, Nigéria

Divulgação

Pensando nas inundações da região, o arquiteto Kunie Adevemi projetou prédiosflutuantes. A escola tem playground, salas de aula e espaços de lazer ao ar livre, além de usar painéis solares para gerar energia e um sistema de captação da água da chuva.

A QUEDA DO MURO
Nome: Vittra Telefonplan
Onde: Estocolmo, Suécia

Divulgação

O ambiente é a maior ferramenta de aprendizado. Há cinco locais integrados, sem paredes: caverna (estudos), laboratórios (para pôr os estudos em prática), fogueiras (aulas em grupo), teatro (ambiente expositivo) e o furo (para as crianças manifestarem seus impulsos).

CASA DA ÁRVORE
Nome: Fuji Youchien
Onde: Tóquio, Japão

Divulgação

A estrutura baseada em metal, vidro e madeira foi construída em volta de uma grande árvore que serve não só como sala de aula mas também como espaço para brincadeiras e até como ponto de ônibus.

28 de Abril Dia da Educação

Vinte e oito de abril é o Dia Internacional da Educação. A data faz referência à conclusão do Fórum 551d46c21c570Mundial de Educação, realizado na cidade de Dakar no Senegal, entre 26 e 28 de abril de 2000. Na ocasião, representantes de 180 países estabeleceram seis metas com o objetivo de disseminar o acesso à educação de qualidade ao redor do mundo. O prazo para tanto era 2015.

Passados quinze anos, ocorreram avanços. Contudo, eles foram insuficientes para o cumprimento das metas em quase todos os países. No Brasil, a Unesco considera que apenas duas das seis metas foram cumpridas. No entanto, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) órgão vinculado ao Ministério da Educação, discorda dessa avaliação: cinco das seis metas teriam sido alcançadas. Apresentei aqui minha posição.

07paulfreire-copy

Como 2015 é o prazo final para o cumprimento das metas EPT (Educação para Todos), uma nova edição do Fórum Mundial de Educação ocorrerá na Coréia do Sul, em Incheon, entre 19 e 22 de maio desse ano, envolvendo representantes dos Estados Nacionais e da sociedade civil. Espera-se que o resultado seja melhor. Alguns consideram que a situação mudará pouco até 2030, prazo final para as novas metas que estão sendo redigidas. Outros trabalharão para  cumpri-las.

O dia 28 de abril de 2025

Implementar o PNE é urgente. Daqui a dez anos, no Dia Internacional da Educação de 2025, não será mais aceitável que o Brasil continue simplesmente dizendo que é um país que avança em termos educacionais, mas permanece distante de consagrar o direito à educação pública, gratuita, laica e de qualidade para todos e todas.

Cumprir o novo plano educacional é o primeiro passo para o país virar a página e construir uma nova narrativa. Especialmente depois de tanta mobilização da sociedade civil para conquistar, sem vetos, a sanção de seu novo PNE. Todo esse trabalho precisa ser considerado.

Fonte:http://danielcara.blogosfera.uol.com.br/2015/04/28/o-dia-da-educacao-e-a-patria-educadora/

#EuQueroUmaEducaçãoDeQualidade

Eu quero uma educação de qualidade. Nós somos todos diferentes, mas precisamos viver juntos. E aprender a como fazer isso. Crescimento sustentável não é apenas crescimento. Precisamos preservar os recursos naturais, não lutar por causa deles. Parar com o desperdício e compartilhar justiça. E só existe um caminho para atingirmos tudo isso: a educação.

Consciente Coletivo – Instituto Akatu

Em 10 episódios, a série Consciente Coletivo faz reflexões, de forma simples e divertida, sobre os problemas gerados pelo ritmo de produção e consumo de hoje. Entre os assuntos estão sustentabilidade, mudanças climáticas, consumo de água e energia, estilo de vida, entre outros, que permeiam o universo da consciência ambiental. O projeto é uma parceria entre o Instituto Akatu, Canal Futura e a HP do Brasil.

Conceitos de Educação Ambiental

“Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.”

Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº 9795/1999, Art 1º.

“A Educação Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental.”

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, Art. 2°.

“A educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a comunidade educativa tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido a transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para dita transformação.”

Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a Educação Secundária – Chosica/Peru (1976)

“A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida”

Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977)

“A Educação Ambiental deve proporcionar as condições para o desenvolvimento das capacidades necessárias; para que grupos sociais, em diferentes contextos socioambientais do país, intervenham, de modo qualificado tanto na gestão do uso dos recursos ambientais quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente, seja físico-natural ou construído, ou seja, educação ambiental como instrumento de participação e controle social na gestão ambiental pública.”

QUINTAS, J. S., Salto para o Futuro, 2008

“A Educação Ambiental nasce como um processo educativo que conduz a um saber ambiental materializado nos valore séticos e nas regras políticas de convívio social e de mercado, que implica a questão distributiva entre benefícios e prejuízos da apropriação e do uso da natureza. Ela deve, portanto, ser direcionada para a cidadania ativa considerando seu sentido de pertencimento e co-responsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, busca a compreensão e a superação das causas estruturais e conjunturais dos problemas ambientais.”

SORRENTINO et all, Educação ambiental como política pública, 2005

“A Educação Ambiental, apoiada em uma teoria crítica que exponha com vigor as contradições que estão na raiz do modo de produção capitalista, deve incentivar a participação social na forma de uma ação política. Como tal, ela deve ser aberta ao diálogo e ao embate, visando à explicitação das contradições teórico-práticas subjacentes a projetos societários que estão permanentemente em disputa.”

TREIN, E., Salto para o Futuro, 2008

“A EA deve se configurar como uma luta política, compreendida em seu nível mais poderoso de transformação: aquela que se revela em uma disputa de posições e proposições sobre o destino das sociedades, dos territórios e das desterritorializações; que acredita que mais do que conhecimento técnico-científico, o saber popular igualmente consegue proporcionar caminhos de participação para a sustentabilidade através da transição democrática”.

SATO, M. et all, Insurgência do grupo-pesquisador na educação ambiental sociopoiética, 2005

“Um processo educativo eminentemente político, que visa ao desenvolvimento nos educandos de uma consciência crítica acerca das instituições, atores e fatores sociais geradores de riscos e respectivos conflitos socioambientais. Busca uma estratégia pedagógica do enfrentamento de tais conflitos a partir de meios coletivos de exercício da cidadania, pautados na criação de demandas por políticas públicas participativas conforme requer a gestão ambiental democrática.”

LAYRARGUES; P.P. Crise ambiental e suas implicações na educação, 2002.

“Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política.”

MOUSINHO, P. Glossário. In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente no século 21.Rio de Janeiro: Sextante. 2003.

Conheça a cadeia produtiva do papel

Uma aula interessante e didática deve incluir mais do que só o conceito da reciclagem. Ao aprofundar o tema, alunos vão entender as mudanças químicas e físicas dessa indústria

Engana-se quem pensa que uma aula sobre reciclagem de papel se esgota com o procedimento em si. “As escolas dão ênfase à sustentabilidade e à consciência ecológica, mas o mais importante é conhecer o processo de fabricação do material e, assim, discutir transformações químicas e físicas”, aponta Mônica Peixoto, química da Abramundo.

Na Escola Municipal João Carolino Remédios, em Angra dos Reis, a 166 quilômetros do Rio de Janeiro, a professora Jéssica Mendes de Menezes Vallim propôs a atividade ao 3º ano com esse enfoque, em uma sequência didática sobre transformações. A garotada estava estudando os recursos naturais e as matérias-primas que geram os produtos que utilizamos, como a mesa, o lápis e o caderno. A docente comentou que o processo de fabricação deles gera muitos resíduos e que é preciso pensar em formas de reutilização.

Em seguida, Jéssica convidou a classe a pensar também sobre o lixo caseiro e em maneiras de aproveitá-lo e reciclá-lo, perguntando: “Como podemos reduzi-lo?”. Ela explicou que diminuir o consumo é uma possibilidade, assim como reutilizar objetos. Também deu exemplos dizendo que reutilizar é dar um novo uso a um material, como usar um pote de sorvete para armazenar algo.

Já reciclar envolve um novo processo de manufatura, que exige transformações físicas e químicas. Na sequência, a professora perguntou: “De onde vem o papel?” e “De que forma é feito?”. “Alguns até sabiam que ele vinha da árvore, mas não faziam ideia de como a produção ocorria”, diz. Ela questionou a meninada sobre meios de tornar maleável algo duro e resistente como a madeira. A turma ficou intrigada: “Como madeira pode virar papel? É impossível!…”, apostou a maioria. O restante arriscou alguns palpites, todos anotados pela docente.

Na aula seguinte, Jéssica comentou sobre a reciclagem e contou aos estudantes que eles fariam vários tipos de papel, com e sem aditivos, como talco e corante. “Esse acréscimo é feito logo após a trituração, quando se forma uma massa”, explica. Todos trouxeram jornais de casa. A classe foi dividida em grupos de cinco integrantes, nos quais cada um tinha uma função: picar, espalhar a massa na tela, recolher a água, secar com uma esponja e deixar o papel fininho.

As crianças tinham à disposição um texto com instruções. Jéssica sugeriu que elas observassem a situação inicial e a final do material. “Esse é um momento importante, pois leva os estudantes a exercitar o olhar científico”, diz. Ao longo do trabalho, a turma foi estimulada a fazer registros individuais, com relatos e desenhos de observação.

Desde o início da atividade, ela circulava fazendo intervenções. Pediu, por exemplo, que picassem bem o material – o que facilitaria a preparação da pasta para reciclagem e, consequentemente, sua qualidade. Também sugeriu que observassem as fibras, que ficaram aparentes depois dessa ação. Explicou, então, que o papel é feito com as fibras vegetais dos tronco das árvores e que tais fibras são compostas de uma substância chamada celulose.

Em seguida, mostrou uma imagem microscópica da superfície de uma folha de sulfite. Os pedaços de jornal foram colocados num recipiente com água. Jéssica recomendou que os alunos cuidassem para que o material ficasse até a metade o vaso. Caso contrário, a pasta ficaria grossa, assim como o produto final. Os estudantes agitaram o vasilhame.

Depois que a mistura ficou pronta, ela chamou a atenção para a prensagem. Comentou que esse processo é importante, pois a folha pode ficar grossa se a pressão for pequena. Por outro lado, se a garotada exagerasse, corria o risco de produzir um papel que rasgaria com facilidade. Por fim, Jéssica percorreu os grupos comentando sobre a necessidade de eliminar o excesso de água e acelerar a secagem.

Outra intervenção interessante é discutir o impacto da ação, com perguntas como: “Esse processo que fizemos tem algum problema?” e “Causamos algum nível de poluição?”.

Esses questionamentos levam a turma a refletir sobre a experiência.

Vale alertar para o descarte da água durante a reciclagem, sugerindo fazer uma decantação ou uma filtração e, assim, familiarizar as crianças com outro conteúdo das Ciências, os sistemas de purificação, como sugere Antonio Carlos Pavão, professor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e diretor do Museu de Ciência do estado. “Assim, o professor explica que essa água precisa ser tratada e descartada.”

FOCO NA CADEIA
Depois da reciclagem, foi a vez de aprofundar os conhecimentos por meio da leitura. Todos leram um texto informativo sobre o processo de obtenção do papel (material semelhante pode ser lido aqui – bit.ly/producaodepapel) e viram um esquema sobre a fabricação desse material. Também se informaram sobre os impactos ambientais e as fases de transformação da indústria papeleira.

Aprenderam que a produção de papel depende de etapas semelhantes às vistas durante a reciclagem em sala, como a adição de diferentes substâncias. Um exemplo são os corantes, usados para alterar a cor do papel. Solúveis em água, eles se prendem às fibras. Outro são os enchimentos, como o talco, semelhante ao utilizado por crianças. Na indústria, ele pode ser empregado juntamente com outras substâncias, como o carbonato de cálcio e a amônia, utilizados para aumentar a opacidade e a maciez, para facilitar o processo de impressão e para dar volume à pasta, reduzindo o custo de produção.

Na aula seguinte, a meninada comparou os papéis reciclados e não reciclados quanto à resistência, textura, espessura e capacidade de absorver água. Houve discussões sobre as variedades de papel e a relação entre o tipo e a utilização de cada um e sobre o uso do material ao longo da história.

A classe refletiu sobre o mundo antes da invenção do papel e lembrou das pinturas rupestres. Assim, a turma encerrou o trabalho, que permitiu um mergulho numa das descobertas mais úteis da humanidade.

1. DISCUSSÃO SOBRE O LIXO
Proponha que a turma pense sobre o lixo produzido em casa e em como reduzi-lo. Inicie uma discussão sobre reciclagem e reutilização.

2. PENSANDO SOBRE O PAPEL
Pergunte se a criançada conhece a matéria-prima do papel. Questione sobre o processo de produção dele, que transforma um material duro em algo maleável.

3. RECICLAGEM COM REFLEXÃO
Divida a turma em grupos e diga que vão reciclar papel. Enquanto a classe estiver preparando o material, circule pela sala fazendo intervenções pontuais.

4. FAZENDO RELAÇÕES
Convide a turma a ler textos sobre a cadeia produtiva do papel. Discuta o processo de produção industrial, estimulando a relação com a reciclagem feita em sala de aula.

DA MADEIRA À FOLHA
Conheça as etapas de fabricação industrial do papel que usamos no dia a dia:

Transformação física – Corte das árvores
Após sete anos de cultivo, o eucalipto é colhido. Troncos dessas árvores são cortados e transportados à fábrica de celulose.

6-hojas-papel-reciclado-hecho-a-mano-a4-colores-a-eleccion-13645-MLA58857006_1290-O

Transformação física – Trituração
Os troncos são descascados, lavados e triturados. Em seguida, são transformados em pequenas lascas, que são cozidas.

Transformação química – Cozimento
Peneirado, o material é cozido em água e outras substâncias para que a celulose e a lignina (uma polpa marrom) sejam separadas.

Transformação química – Clareamento
A lignina é clareada e refinada para a retirada de impurezas. São acrescentados aditivos, como corante e talco.

Transformação física – Prensagem
A massa úmida vira uma grande folha. Ela passa por rolos de prensagem, que a compactam e a alisam, definindo a espessura.

Transformação física – Secagem
A folha passa por rolos com ar quente, que retiram o excesso de água. Por fim, se descola da esteira. O papel está pronto para empacotamento.